O «March madness» é a fase final do campeonato nacional de basquetebol universitário, que junta as 68 melhores equipas nacionais e dita o campeão nacional. O tiro de partida foi dado este domingo com o sorteio dos jogos, sendo que a partir de agora são todos a eliminar.

Só na América é possível tornar o desporto universitário um foco de atenção similar às principais competições, como a NBA ou a NFL. Para muitos americanos a equipa da sua universidade é a única que acompanham de perto, uma espécie de clube do coração, despertando paixões tão intensas no basquetebol como no futebol americano. Em muitas localidades só uma equipa destes dois grandes desportos consegue ser realmente forte e com sorte atinge a fase final, uma espécie de santo graal.

A expressão foi cunhada por H.V. Porter em 1939 e chegou a ser usada num poema de 1942, denominado «Os idos de março no basquetebol», mas só ganhou expressão nacional nos anos de 1980, quando o torneio passou a ser transmitido pela CBS. O torneio é organizado pela NCAA (National Collegiate Athletic Association) e é, nos dias de hoje, um dos grandes eventos desportivos dos Estados Unidos.

O torneio inclui campeões de 32 divisões, que têm acesso direto, e mais 36 equipas que são selecionadas por um comité de seleção que as anuncia num evento televisivo que decorre no último domingo antes do início do torneio (precisamente ontem). As 68 equipas são divididas em quatro regiões, com o sorteio realizado até à final, como num campeonato do mundo, com direito a cabeças-de-série. Após uma fase inicial de quatro jogos entre as equipas pior classificadas no ranking, o torneio realiza-se ao longo de três fins-de-semana, em pavilhões neutros pré-selecionados espalhados por todo o país.

O conceito coloca as equipas mais fortes contra as mais fracas, chegando a 16 finalistas («Sweet Sixteen»), que depois lutarão para estarem presentes no último fim-de-semana, onde se realiza a final four, que normalmente é jogada no primeiro fim-de-semana de abril. As quatro equipas finalistas representam cada região e vão lutar pelo título num local pré-determinado, que este ano é em Arlington, no Texas (mais propriamente no estádio AT&T, que normalmente é utilizado pelos Dallas Cowboys e tem capacidade para receber mais de 100 mil pessoas).

Os jogos são transmitidos pelas cadeias de televisão CBS, TBS, TNT e truTV e atraem muitos milhões de espectadores (é a principal fonte de receita da NCAA, que recebe 500 milhões de euros anuais pelas transmissões, num contrato válido até 2014). A UCLA (University of California, Los Angeles) é a universidade com mais títulos (11, 10 das quais com John Wooden a treinador), seguida da Universidade de Kentucky (8), Universidade de Indiana e Carolina do Norte (5 cada), para além da Universidade Duke (4). Louisville é a campeã em título (o terceiro do seu historial)

O «march madness» merece também a atenção das equipas da NBA, porque a escolha dos novos jogadores («draft») realiza-se apenas três meses depois da fase final do campeonato universitário, pelo que as exibições durante este período tornam-se cruciais para o futuro dos atletas. Muitas das estrelas da NBA viveram os seus primeiros grandes momentos de atenção mediática durante o louco mês de março.

Ao longo da sua história, o «march madness» viveu grandes momentos que invariavelmente reuniram os nomes que viriam a fazer a diferença na liga profissional, como Michael Jordan (North Carolina), Magic Johnson (Michigan State), Bill Bradley (Princeton), Isiah Thomas (Indiana), Hakeem Olajuwon (Houston), Patrick Ewing (Georgetown), Carmelo Anthony (Syracuse), Joakim Noah (Florida), Mario Chalmers (Kansas) ou Anthony Davis (Kentucky).

Momentos para a eternidade que não podem deixar nenhum adepto do basquetebol indiferente. Se é um deles desejo-lhe um excelente mês de março.