Já passaram duas semanas, mas Rui Borges ainda recorda a «semana de exigência máxima em termos mentais» a que o Sporting teve sujeito antes da reviravolta frente ao Bodo Glimt nos oitavos de final da Liga dos Campeões.

Este foi um dos temas abordados pelo técnico leonino durante um painel sobre treino em alto rendimento durante o Congresso da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), em Albufeira.

Ao lado de Carlos Carvalhal e com Paulo Fonseca a participar por videoconferência, Rui Borges relembrou que, para virar a eliminatória com o Bodo, houve «um desgate mental enorme», até superior ao físico.

«Tínhamos de virar um resultado de 3-0. Chegámos ao fim e virámos o jogo como virámos... Estás no alto, tens de respirar e prepará-los para o Alverca. A exigência vai do oito para o 80», disse.

O técnico do Sporting abriu um pouco o jogo e recordou o porquê de ter dado duas folgas ao plantel apesar dessa partida com o Alverca, no domingo seguinte.

«Libertei-os um pouco, estiveram com as famílias e, nos dias de trabalho, tentei voltar a ligá-los. Eles perceberam que tiveram folgas, respiraram e agora tinham um jogo que precisavam de ganhar», disse.

Na opinião do técnico, essa foi ainda uma maneira de os jogadores se voltarem a ligar «mais rapidamente do que propriamente se estivessem a treinar todos os dias, já exaustos da minha voz».

Neste painel, Rui Borges também recordou que a adaptação ao Sporting, no início, foi mais complicada por «não ter tempo para treinar».

«Pelo que nos foi acontencendo, as lesões, um sistema que não era muito o meu. Eu acredito muito em treinar todos os momentos porque assim estamos mais preparados para vencer», disse.

De resto, Rui Borges considerou que a «relação humana com os jogadores» é fundamental.

«Os jogadores que foram pais há meia dúzia de dias não dormem. É ter essa sensibilidade. Percebê-los. Gosto de conversar por isso. Numa conversa, entendemos muita coisa para perceber se estão preparados para aquele ciclo de jogos. Se conseguem dar resposta. Eles próprios também dizem e sentem. Acredito muito neles».

O treinador do Sporting deu até o exemplo de outros colegas, como Luís Enrique que, durante o Mundial de Clubes, também deu folgas aos jogadores. «Se fosse em Portugal, era despedido», concluiu.