«Sem querer especificar nenhum caso, vamos continuar a trilhar o caminho do rigor e da exigência nos pressupostos de natureza financeira para se participar nas competições profissionais. Julgo que esse é um objectivo e é isso que tenho sentido nas conversas com os agentes, com os clubes e outros parceiros, nomeadamente o Sindicato de Jogadores e a Associação Nacional de Treinadores, para encontrar mecanismos para que as situações de incumprimento não aconteçam», começou por destacar.

O dirigente lamenta as dificuldades por que alguns clubes têm vindo a passar, mas insere essas dificuldades na crise geral que atravessa o país. «Qualquer incumprimento, seja no futebol ou noutra actividade, é extremamente desagradável. Numa actividade desportiva com elevados índices de competitividade, torna-se ainda mais complicado quando isso acontece. Temos, por via regulamentar, procurar encontrar essas soluções para evitar que essas situações aconteçam. Temos vindo a melhorar os pressupostos de natureza financeira, mas aproveito uma vez mais para lançar um apelo à contenção e moderação salarial. É inevitável que todos os agentes à volta do futebol olhem para esta questão com muita atenção», acrescentou.

Uma moderação salarial que faz pouco sentido no V. Setúbal onde há jogadores com salários de mil euros. «Sejam grades ou pequenos montantes, aquilo que importa é que as pessoas cheguem ao fim do mês e possam receber. Infelizmente isso não tem acontecido, temos de encontrar, do ponto de vista regulamentar, soluções para que essas situações não se voltem a repetir. Infelizmente, em Portugal, temos cada vez mais situações de salários em atraso e cada vez mais desempregados. Isso é preocupante e tem repercussões nas actividades de lazer», comentou.

O Trofense falou esta terça-feira em «falta de verdade desportiva» em alusão aos casos do E. Amadora e V. Setúbal. «Não vou especificar, mas temos estado a falar com os clubes para que essas situações não se repitam. Se calhar o futebol é dos poucos sectores que está profunda e verdadeiramente preocupado com essa situação», insistiu.

Uma situação que Hermínio Loureiro espera ver clarificada na próxima Assembleia Geral da Liga. «O objectivo que temos é que com incumprimento salarial, as equipas não tenham condições para participar nas competições profissionais. Temos de adaptar e melhorar os nossos regulamentos para fazer face a esse nível de rigor e de exigência que queremos implementar», referiu.

A proposta de alteração dos regulamentos terá de ser aprovada e ratificada pelos clubes em Assembleia Geral.