Roberto Martínez quer aproveitar os jogos com o México e Estados Unidos para começar, desde já, a preparar a fase final e ganhar tempo em relação ao estágio de junho. O treinador quer testar a equipa em altitude, no Estádio Azteca, mas também jogar num estádio fechado e sob temperaturas elevadas, como Portugal vai encontrar em Atalanta.
«É a última oportunidade para experimentar, é a última convocatória antes do Mundial. Temos dois jogos interessantes, adversários diferentes, adversários da Concacaf. Vamos trabalhar muito, a mudança de horários, a altitude, que um aspeto importante a trabalhar. Temos jogadores que não estão aptos, o Rúben Dias, Ronaldo, Nelson Semedo, mas é um estágio para gestão física e oportunidade. Temos jogadores que nos que podem trazer qualquer coisa diferente. Temos a oportunidade para criar a melhor equipa para o Mundial».
Segurança no México? Chegou-se a falar num plano B…
«Temos só um plano A. Acho que há muito barulho, muitas instituições gostam do futebol para falar das suas agendas. Há jogo no Azteca, não há dúvida. Estamos a preparar o jogo com três dias de treino ao nível do mar. A ideia é adaptar com a mudança horária, ao nível do mar e jogar em altitude em dia de jogo. É um aspeto científico, queremos experimentar antes do jogo. Depois temos a oportunidade de ir a Atalanta, um estádio fechado, com as condições de temperatura que vamos encontrar nos nossos jogos em Houston. Aí o nosso foco vai estar para termos um bom desempenho em altitude e depois para jogar num estádio fechado. Tudo isso faz foco e nos objetivos para o estágio. Não precisamos de plano B, está tudo muito bem tratado. Estamos muito contentes com a organização e toda a informação que recebemos todos os dias».
O que pretende retirar destes jogos com o México e EUA?
«São adversários muito diferentes. Não são europeus, os treinadores que trabalharam na Europa, mas a Concacaf é uma competição diferente. Os EUA ganharam o último jogo ao Uruguai, com cinco atacantes. São uma equipa com capacidade física muito importante. São jogadores para podermos trabalhar a pressão alta. O México, por seu lado, consegue utilizar o fator casa. Jogar No Azteca, poder jogar em altitude, contra uma equipa que conhece as tradições, que tem um apoio incrível vai ser importante para nós. São jogos em que podemos retirar muita informação para o Mundial.»
Como se gere o grupo num mundo que está envolvido em vários conflitos?
«Nós precisamos de nos focar no que podemos controlar e trabalhar. Agora o foco é uma situação instável para todos nós, mas o futebol também ajuda a trazer felicidade. É o que procuramos fazer em Portugal, é esse o nosso foco».
Foi fácil fazer esta convocatória nesta altura da temporada? Como está a relação entre a Federação e os clubes?
«Não é só agora, é uma situação, um compromisso, uma exigência e o futebol da seleção é sempre difícil de gerir. Eu estive na Premier League sete anos e não gostava quando os meus jogadores iam para a seleção. Também sei que o momento mais importante para um jogador é vestir a camisola da seleção e estar num Mundial. Temos de gerir isso. Fazer dois jogos em Portugal em março não ia ajudar em nada. Precisamos de trabalhar a altitude, treinar ao nível do mar, trabalhar os protocolos. Tudo o que podermos fazer em março, estamos a ganhar tempo para junho. É importante dar descanso aos jogadores. As conversas com os clubes e comos jogadores foram positivas. É uma situação difícil. O jogador adora jogar pelo clube, mas também é um orgulho jogar pela seleção.
Viagem longa?
«Não é uma viagem mais longa do que a que fizemos em setembro, em que jogámos na Arménia e na Hungria. Estamos entusiasmados com tudo aqui, o que vamos testar, jogar o Azteca, em altitude. É muito importante para a preparação, depois não precisamos de fazer em junho. Fico muito contente com o esforço da federação para jogarmos com os países onde o mundial vai acontecer. Estamos alinhados com os clubes».