Mais de 70 mil adeptos vislumbraram em Atlanta, ainda que por brevíssimos instantes, o potencial de Portugal para o Mundial 2026. Na madrugada desta quarta-feira, na visita aos Estados Unidos (2-0), a Seleção revelou-se na etapa complementar e fez o suficiente para arrecadar a primeira vitória sobre os norte-americanos desde 1990.

Depois do nulo no México, Roberto Martínez manteve Bruno Fernandes, Samú Costa e Gonçalo Ramos no “onze”. A continuidade do médio do Maiorca entre os titulares pode indiciar o crescimento deste aveirense na lista final de Roberto Martínez.

Nos norte-americanos, Pochettino segurou Weah, Robinson, Weston McKennie, Tillman e Pulisic de início após a goleada sofrida contra a Bélgica (5-2).

Recorde a história do oitavo duelo entre Portugal e Estados Unidos.

Numa primeira parte sofrível, sucessivos erros na construção recuada convidaram às ameaças de Pulisic, Berhalter e de McKennie.

Entre cruzamentos e passes longos para o vazio, a pausa para hidratação teve efeitos díspares. Se Portugal acordou, os Estados Unidos descompensaram na defesa. Por isso, aos 37 minutos, Vitinha recuperou no meio e lançou a corrida de Bruno Fernandes, que fletiu para a direita. Ainda que apertado, o capitão deu de calcanhar para Trincão e o avançado desferiu um belo arco, atingindo o terceiro golo por Portugal.

Até à pausa, os anfitriões pouco ameaçaram. Quanto aos lusos, apenas Vitinha, Samú, Bruno Fernandes, Trincão e Tomás Araújo se mostraram em bom plano.

Para a segunda parte, Roberto Martínez manteve José Sá, Inácio, Bruno e Gonçalo Ramos. Enquanto Bruno Fernandes baixou para fazer dupla com Rúben Neves, João Félix atuou nas costas de Gonçalo Ramos. Nos corredores, Nuno Mendes e Matheus Nunes assumiram o setor recuado, enquanto Ricardo Horta e Francisco Conceição contribuíram na frente. Por último, António Silva rendeu Tomás Araújo.

Já que os Estados Unidos foram incapazes de atacar – até pelas saídas de Pulisic e de McKennie – Portugal instalou-se no ataque. Depois de Gonçalo Ramos ameaçar, Félix brilhou após um canto cobrado por Bruno Fernandes à esquerda. Estavam decorridos 59 minutos quando o avançado atingiu o 12.º golo pela Seleção.

Até final, Rúben Neves, Félix e Conceição ameaçaram o 3-0, mas Matt Freese agigantou-se.

Do banco luso saíram Paulinho e Renato Veiga, além dos estreantes Ricardo Velho e Mateus Fernandes. Ou seja, Pote foi o único sem minutos nesta janela internacional.

No rescaldo a um particular “satisfaz menos”, Portugal não sofreu qualquer golo contra México e Estados Unidos, dois adversários muito inferiores, ora em talento individual, ora em processos coletivos. Ainda que os “onzes” de Roberto Martínez estivessem distantes das escolhas reais – figuras como Diogo Costa, Rúben Dias, Bernardo Silva, Rafael Leão e Cristiano Ronaldo – o desinteresse e displicência de alguns protagonistas pode revelar-se fatal.

Segue-se o particular com o Chile a 6 de junho, no Jamor, e o jogo em Leiria, a 10 de junho, frente a adversário a anunciar.

O Mundial 2026 decorre entre 11 de junho e 19 de julho, nos Estados Unidos, México e Canadá. Portugal integra o Grupo K, com Uzbequistão, Colômbia e República Democrática do Congo.

A Figura: Bruno Fernandes

Duas assistências e brilho maior, uma vez mais. O capitão voltou a ser farol na transição ofensiva, protagonizando as jogadas dos golos. Galvanizou os pares numa primeira parte adormecida e recebeu entusiasmo dos substitutos na etapa complementar. Além disso, aplicou dois remates e contribuiu com um alívio, um remate bloqueado e duas recuperações de posse. Foi um dos poucos insaciáveis nos particulares com México e Estados Unidos. É fibra de ídolo e capitão.

O Momento: Félix silencia Atlanta, minuto 59

Os Estados Unidos ainda procuravam iniciar a segunda parte quando Bruno Fernandes surpreendeu a defesa do “Soccer” e permitiu a Félix brilhar à entrada da área. O jogo terminou nesse momento. A vantagem de Portugal não se avolumou porque Matt Freese assim o evitou.

Positivo: Seleção mais próxima da verdade

As substituições ao intervalo aproximaram Portugal da sua génese, da vontade de batalhar, dominar e brilhar. Nesta madrugada, Matheus Nunes, Nuno Mendes, Francisco Conceição, Ricardo Horta e João Félix espelharam essa mudança, enquanto João Cancelo, Diogo Dalot, Pedro Neto e Gonçalo Ramos estiveram desaparecidos.

Depois do medonho particular com o México, opções como Samú Costa e Tomás Araújo também continuam a colher créditos. Em todo o caso, esta versão das “Quinas” está distante daquela que anseia a glória mundial.