Declarações do selecionador de Portugal, Roberto Martínez, na sala de imprensa do Estádio do Dragão, após a goleada por 9-1 à Arménia, no jogo que garantiu o apuramento para o Mundial 2026:

Resposta cabal à derrota na Irlanda. Agora, como manter esta Seleção com “fome” de golos e vitórias até ao Mundial:

«Acho que a atitude, o foco e o esforço dos jogadores é total. Nós, durante o intervalo do jogo com a Hungria estávamos apurados e foi difícil gerir o aspeto psicológico da equipa. Não é questão de fome, algo tático ou técnico. É o aspeto de gerir a sensação de não perder o apuramento e o nosso desempenho com a Irlanda mostra falta de assertividade, alguma dúvida e hoje a resposta foi de focar e sermos melhores do que a Arménia e ganhar. Ganhámos dez jogos seguidos no apuramento para o Europeu e acho que a equipa não estava tão preparada para um torneio como agora. Porque os desafios ajudam a crescer, não há muito tempo [de trabalho] com as seleções e o que nós sentimos e o trabalho feito depois da derrota com a Irlanda acrescentou ao que este balneário pode fazer. Não há um problema de falta de fome ou de golos. Há um problema de poder gerir o aspeto psicológico.»

Como trabalhar esse aspeto psicológico para uma prova como o Mundial:

«Primeiro, estamos a falar do aspeto de ter o apuramento no saco. Somos muito autocríticos dos últimos 20 minutos com a Hungria. Não foi falta de atitude, algo técnico ou tático. Foi uma questão de, mentalmente, querer ir já ao Mundial. O jogo com a Irlanda é o mesmo. Eu tive a minha primeira derrota em 43 jogos em fases de apuramento para Europeus ou Mundiais e não posso explicá-la nos aspetos técnico, tático e físico, mas sim com a nossa vontade de ganhar e não saber como. Hoje, foi um aspeto que ajuda a preparar a equipa para o Mundial. Na fase de apuramento para o Europeu não sofremos golos antes dos nossos, não empatámos nem perdemos jogos. A equipa não tinha a resiliência necessária para ganhar títulos. Na Liga das Nações já foi diferente, fomos uma equipa capaz de reagir quando a Alemanha marcou em casa e capaz de reagir quando a Espanha, campeã da Europa, marca, para ganharmos um torneio.»

Como vai ser no Mundial? Hoje houve nove golos e pedia-se mais um. E se vai continuar com a mesma tática:

«Não acho que seja um problema marcar nove golos e os adeptos pedirem mais um, faz parte da química que temos aqui. Agradecer, mais uma vez, a magia da Seleção no Dragão. Ajuda muito a ganhar jogos. Acho que a equipa está a crescer muito, somos flexíveis taticamente é um processo desde o primeiro dia e agora precisamos de preparar bem o Mundial. O estágio de março é essencial, é o meu terceiro Mundial e a experiência diz-me que precisamos de preparar o Mundial em março e não nos dias antes do Mundial e vamos fazer isso para preparar da melhor forma possível.»