Alexander Zahavi, jovem de quinze anos, está a realizar um sonho traçado há quase uma década em Israel. Joga no Barcelona e foi agora chamado à Selecção Nacional de sub-16 de Portugal para um estágio de preparação sob as ordens de Paulo Sousa. Uma história que começa em Los Angeles, passa por Haifa, pelo Benfica e Arsenal e que promete novos desenvolvimentos a partir de Camp Nou.
Zahavi é um dos nomes que se destacam na última convocatória de Paulo Sousa, não só pelo nome invulgar, mas também pelo clube que representa. Alexander nasceu há quinze anos em Los Angeles, nos Estados Unidos, filho de pai israelita e mãe portuguesa e, quando completou seis anos, a família Zahavi mudou-se para Israel, a terra do patriarca, onde o pequeno Alexander começou a dar os primeiros pontapés na bola.
De pontapé em pontapé, fortaleceu-se um forte desejo desde logo sustentados pela abastada família Zahavi. A primeira experiência foi no Hapoel Haifa, clube da I Divisão israelita. Foi aí que também surgiram os primeiros entraves, uma vez que a liga local não permitia a utilização de jogadores com menos de nove anos. O pequeno Alexander, com apenas sete, treinava entre os mais crescidos, mas não jogava para desgosto da família que decidiu mudar de vida para que o jovem Alexander pudesse alcançar as suas ambições.
O primeiro passo foi uma mudança para Lisboa, onde já residia parte da família e onde o futebol é mais levado a sério do que em Israel. «Os meus pais gostaram de me ver jogar, acharam que tinha jeito e decidimos ir viver para Portugal onde tinha maiores possibilidades para vir a ser futebolista», destacou Alexander ao Maisfutebol. O segundo foi a integração nas escolas do Benfica. Ao fim do primeiro ano, o pequeno Alex, a caminho dos dez anos, já tinha nacionalidade portuguesa e já brilhava de águia ao peito. No final do segundo, no decorrer de um torneio de infantis, atraiu a atenção de um olheiro do Arsenal e foi convidado para uma experiência em Londres.
«O Arsenal viu-me jogar, perguntaram se podia ir fazer uns treinos e no final do primeiro dia disseram-me que queriam assinar contrato comigo. Passei lá dois anos excelentes», contou. Uma progressão rápida a que não está alheia a influência do tio-avô, Pina Zahavi, empresário da FIFA com fortes ligações a alguns dos principais clubes da Europa e com interferência em algumas das mais sonantes transferências do futebol europeu. «É tio do meu pai e vai-nos dando algumas indicações, mas não foi só por ele que cheguei onde estou», fez questão de deixar claro.
Depois de mais um torneio, em 2004, nova mudança de ares. Um aliciante convite do Barcelona e a perspectiva de poder voltar a jogar num clima quente foram suficientes para convencer a família Zahavi a voltar a fazer as malas. «Aceitei logo porque era mais perto de Portugal, país que adoro, há mais calor, as pessoas são mais quentes. Decidi que era boa ideia ficar em Barcelona», recordou.
Alex assinou um contrato de três anos, mais sete de opção. «Na verdade foi um contrato de dez anos, mas ao fim de três anos, quando tiver 16, tenho a possibilidade de mudar as condições. Acho que é o que vai acontecer agora em Janeiro», destacou. Integrado nos «Cadete A» do Barça, Alex não esconde a satisfação com as condições que encontrou na Catalunha. «Está a ser perfeito, o clube é impressionante, não só a primeira equipa que é conhecida em todo o mundo, mas pela forma como tratam os miúdos. É tudo muito profissional e há condições excelentes», referiu.
Faltava realizar o sonho maior, chegar à selecção de Portugal. Depois de uma primeira chamada em Setembro, em que Alex se apresentou com algumas limitações, Paulo Sousa voltou a incluir o seu nome nos convocados. «A minha missão desde pequeno era chegar a este momento, jogar pela selecção. Faço tudo para isso, é a coisas mais importante, nem penso muito nos clubes. É uma coisa incrível, é o meu primeiro objectivo, chegar aqui e jogar com a selecção portuguesa», destacou.