Agora sim, Portugal apareceu no Mundial! À equipa das quinas bastou apresentar a atitude certa, para que o talento sobressaísse com naturalidade. Protagonizada a maior goleada do Mundial, até ao momento, resta esperar que a equipa se tenha libertado definitivamente das amarras.

Perante a maior goleada de Portugal em fases finais de grandes torneios (Europeus ou Mundiais), cresce a fé do povo. O dia foi de festa, e até Cristiano Ronaldo regressou aos golos!

Meireles a quebrar o gelo

Com quatro novidades no «onze», Portugal entrou em campo com a postura adequada. Desde o primeiro minuto mostrou vontade de criar desequilíbrios, de arriscar em busca do golo. Ricardo Carvalho deu o exemplo logo aos cinco minutos, avançando de uma área à outra, para em boa posição atirar para as nuvens. Dois minutos depois o central voltava a aparecer na frente, mas agora na sequência de um canto, e para acertar em cheio no poste.

Para evitar que Portugal pensasse que iam ser «favas contadas», a Coreia do Norte respondeu à altura. Em dez minutos criou quatro situações de perigo, e não esteve nada longe de surpreender Eduardo. A Selecção Nacional assustou-se, e a linha defensiva baixou ligeiramente. O jogo ficava mais partido, mas os movimentos de ruptura continuavam a ser o segredo para o golo. Hugo Almeida, uma das novidades, mostrava mais serviço sem bola do que na posse dela, facilitando a entrada de outros jogadores. Raúl Meireles soube tirar proveito desse espaço em redor do «pivot», e aos 29 minutos chegou ao golo. Um grande passe de Tiago, o substituto de Deco, isolou o camisola 16 no interior da área, para uma conclusão eficaz.

O golo abalou a selecção norte-coreana, que deixou de aparecer com tanto perigo na frente. Mesmo sem deslumbrar, e aproveitando alguma passividade defensiva do adversário, que chegou ao intervalo sem ter cometido qualquer falta, a Selecção Nacional parecia perto do segundo golo quando chegou o descanso.

Garantida a goleada, eis o capitão

Sem recuar na atitude irrepreensível, a Selecção arrancou para a vitória confortável no segundo tempo. Em quinze minutos surgiram mais três golos. Primeiro Simão, com assistência de Meireles, depois Hugo Almeida, após belo cruzamento de Coentrão, e mais tarde Tiago, a passe de Cristiano Ronaldo.

Mesmo com a equipa a vencer folgadamente, o capitão não ficou obcecado em quebrar o «jejum». Pelo contrário. A jogar para a equipa, Ronaldo teve o melhor período neste torneio, a nível individual. O golo começa a ser mais merecido do que nunca. Começou por não ser feliz, ao acertar na trave (71m), mas a três minutos do fim teve a merecida sorte, e voltou aos golos.

Portugal marcava na altura o 6-0. Antes já Liedson tinha saído do banco para «picar o ponto», com Tiago a fechar as contas. 7-0! Uma goleada das antigas, digna dos «magriços».