Carlo Ancelotti tinha-o referenciado e, perante a iminência de Coentrão se transferir para o Manchester United, o brasileiro esteve a um passo de assinar pelo Real.

Coentrão ficou em Madrid e Siqueira parou na Luz. Para Rui Malheiro, analista de futebol internacional e «scouter», o Benfica saiu a ganhar: «Acima de tudo, parece-me que se concretiza uma vontade do treinador do Benfica. É um jogador em quem acredita, que já procurou contratar a época passada e que já tinha surgido na rota do clube antes da aquisição de Cortez, um jogador que não oferece garantias para ser opção única na posição.»

Rui Malheiro estabelece as diferenças entre Siqueira e Cortez: «Ao contrário de Cortez, Siqueira é um lateral brasileiro que construiu carreira no futebol europeu, onde chegou aos 18 anos. É certo que nunca se conseguiu impor nas equipas principais de Inter, na Lazio ou na Udinese, mas aproveitou o protocolo entre os friulani e os diablos rojos para rumar ao Granada. Encontrou aí o espaço para o seu futebol: importante na subida, nuclear nas duas temporadas no escalão principal.»

Como definir Siqueira como jogador? «É um lateral de características marcadamente ofensivas, enquadra-se no futebol vertigem preconizado por Jorge Jesus. Muito disponível do ponto de vista físico, sabe tirar partido da sua velocidade e poder de aceleração para assumir ações de desmarcação - muito forte - e de condução pelo flanco. Não tem receios de partir para cima dos adversários, ainda que se revele mais desequilibrador em espaços largos do que curtos, onde é desarmado com mais frequência, apesar de alguns bons adornos técnicos. Apresenta atributos razoáveis nos cruzamentos, no passe - pode ser mais consistente - e no remate: forte, ainda que nem sempre enquadrado. Do ponto de vista defensivo, apesar de dar espaço nas suas costas fruto da sua propensão ofensiva, é um jogador agressivo, pressionante e, por vezes, duro e faltoso, que se sente confortável na antecipação e é razoável no desarme. Deve, contudo, moderar a impetuosidade com que aborda alguns lances. Tem registado alguma evolução na defesa de posições interiores e a nível posicional (pode melhorar!), mas deve aumentar os seus índices de concentração, até porque apresenta algumas debilidades nos duelos aéreos», aponta Rui Malheiro.

Um dos pontos fortes de Siqueira: as bolas paradas: «No Granada, tem assumido a marcação de grandes penalidades. Não tem receio de bater à Panenka (fê-lo em Camp Nou), o que poderá ser uma novidade no Benfica, ou em colocar a bola nos cantos superiores, sendo curiosa a aceleração que faz em direção à bola antes de bater o castigo máximo. Bate, ocasionalmente, livres laterais, pontapés de canto e livres diretos (muita força, pouco enquadramento).»