A lista da Forbes para os mais ricos do mundo é considerada a mais fiável e por isso citada sempre que é reunida. Existe uma versão para os atletas mais bem pagos e é claro que aqui figuram várias estrelas reconhecidas em grande parte do planeta, muitos deles norte-americanos.

A lista atual é liderada pelo golfista Tiger Woods, seguido do tenista Roger Federer e no último lugar do pódio está o jogador da NBA Kobe Bryant. Segue-se Lebron James (NBA), Drew Brees e Aaron Rodgers do futebol americano, Phil Mickelson (golf), David Beckham, Cristiano Ronaldo e Messi fecham o top 10. No 18º lugar, imediatamente antes de Fernando Alonso (Formula 1), está o jogador mais bem pago da história do baseball (devido aos seus salários absolutamente exorbitantes): Alex Rodriguez.

O baseball tem pouca ou quase nenhuma implantação na Europa, apesar dos esforços ao longo das últimas décadas. Chegou a ser modalidade olímpica (ainda me lembro do campo em Montjuic nos Jogos de Barcelona), mas não deixa de ser um fenómeno quase exclusivo da América do Norte e algumas ilhas das Caraíbas.

Alex Rodriguez é uma das maiores estrelas desse desporto, mas é também um dos mais apanhados nas malhas do doping e quando isso acontece com um dos jogadores mais influentes o estrondo é tão grande que chega a motivar reportagens aprofundadas dos prestigiados New York Times e 60 Minutes da CBS.

Por estes dias a Liga americana de baseball (MLB) está em pré-temporada para arrancar nos últimos dias de março, mas grande parte das notícias são dedicadas a mais uma falha de A-Rod, como é também apelidado o jogador. Alex joga nos New York Yankees, uma das equipas mais eblemáticas do país, e tem sido motivo de vergonha dos adeptos por ter sido novamente apanhado com substâncias ilicitas. É colega do luso-descendente Mark Teixeira.

Considerado por três vezes o melhor jogador do campeonato, foi punido no final de 2013 com 211 jogos de suspensão, mas o castigo viria a ser reduzido para 162 jogos, o que significa que esta época não joga e não recebe 25 milhões de euros em salários. Aos 38 anos significa praticamente o fim da carreira pela porta mais pequena. Uma das últimas técnicas que terá utilizado envolve testosterona e hormona de crescimento humano, num escândalo que envolveu a Biogenesis, uma clínica de anti-envelhecimento da Florida, e que atingiu outros jogadores.

Só para perceber a dimensão é como se Cristiano Ronaldo ou Messi serem apanhados por doping. A dimensão é esta e significa o fim de uma reputação que já estava muito afetada.

Apesar de ser considerado um dos mais versáteis jogadores de baseball de todos os tempos e de ter sido o mais jovem jogador a atingir os 500 home runs, em 2009 já tinha admitido o uso de esteróides entre 2001 e 2003. No entanto, houve sempre compreensão e Alex Rodriguex chegou mesmo a ampliar o contrato, não só por ser um grande jogador, extremamente influente nos resultados da equipa (fundamental no título de 2009), mas também pelo seu sucesso entre os adeptos.

A-Rod tem aquilo a que se chama «star power» e só por isso se manteve durante tanto tempo na ribalta. Desde que foi punido as assistências no estádio dos Yankees desceram abruptamente e os resultados desportivos também não são bons. Com outras estrelas ausentes, como Derek Jeter, Mark Teixeira e Curtis Granderson, os motivos de interesse foram quase nulos e isso refletiu-se num negócio milionário.

Os limites do doping ficam aqui delineados, não se sabendo o papel que teve na carreira de Alex Rodriguez. O que é certo é que ele foi um jogador fantástico, um dos mais entusiasmantes da história do baseball e isso é que contou durante este tempo todo. A este propósito retenho uma frase do médico que lhe forneceu o doping, em declarações ao 60 minutes: «Ele via toda a gente fazer aquilo, não podia deixar de fazer». A sensação de impunidade imperava e o desrespeito pelos colegas limpos imperava. Enquanto o negócio carburou ninguém se queixou, mas a partir do momento em que foi apanhado mais do que uma vez A-Rod não teve perdão e terá mesmo de se juntar à lista infame dos atletas que terminaram a carreira com um castigo por uso de substâncias proibidas.

«Só na América» é uma rubrica do jornalista Filipe Caetano com publicação em casa três semanas