Não raras vezes, somos confrontados com escolhas tão lógicas que originam uma tremenda inquietação. Afinal, como é possível complicar algo terrivelmente simples? O Rio Ave, com extrema humildade, prova isso mesmo.
Carlos Brito faz sentido como treinador do Rio Ave. Conhece a casa, foi feliz nos Arcos e continuará a ser enquanto a relação mantiver o aspecto saudável. Reforça-se a noção de continuidade, de segurança no grupo de trabalho.
No defeso, as investidas no mercado de transferências compuseram um leque com opções honestas e renováveis. Empresários e DVDs de putativos craques procuram esconder o óbvio. Aliás, duas noções óbvias: há talento nos escalões inferiores e a idade não deve impor leis.
João Tomás continua a dizer que é o melhor ponta-de-lança português. Aos 34 anos, poderia perder força para cometer a ousadia. Mas não. Merece a oportunidade de regressar aos palcos da Liga e responde com três golos, dois dos quais nas últimas jornadas, valendo igual número de vitórias.
Carlos Brito viu uma dupla interessante no Boavista, lamentou a queda do histórico xadrez mas recolheu os frutos (João Tomás e Sidnei). Para completar o ataque, Bruno Gama, a custo zero. Lá está, coragem na aposta, simplicidade na escolha.
Assim, este 4º lugar na Liga só surpreende quem observa o fenómeno ao longe. Com bases sólidas, com ou sem meios financeiros, constrói-se um projecto interessante.
Este Rio Ave ainda não defrontou os «grandes», o trio da praxe, mas venceu o Nacional e travou o Sp. Braga, por exemplo. Seguem-se Sporting e F.C. Porto.
Eles vão gozando, merecidamente, o momento.
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