Telma Monteiro tinha ganho tudo.

Dezasseis medalhas entre Mundiais e Europeus: cinco de ouro, outras cinco de prata, mais seis de bronze. Quatro vezes vice-campeã do mundo, e mais cinco títulos de campeã da Europa amealhados.

Tinha ganho tudo, menos a glória da presença num pódio olímpico.

Em algumas ocasiões pareceu ceder à pressão. Compreende-se. O momento é solene, e faz abanar mesmo quem às vezes parece de ferro. Mas não desta vez!

Se há coisa a que Telma não ia ceder seria a pressão. Percebia-se. Sentia-se. Transpirava determinação.

Mentalmente foi tão forte ou mais do que a futura campeã olímpica, a brasileira Rafaela Silva. Mesmo depois de ter perdido, algo injustamente, no segundo combate, e ter sido afastada do ouro.

Telma focou. Cerrou os dentes, e foi à luta. Como tantas vezes antes, mas com uma fé inabalável. Uma fé que a fez gritar a plenos pulmões Eu vim para ficar! depois de garantir a presença no combate pelo bronze com um ippon brilhante.

Se já era grande, a judoca tornou-se enorme. Superou-se a si própria, e pode finalmente sorrir. Merece tudo o que está a viver. Tornou-se lenda.

Obrigado, Telma, por teres vindo para ficar! E que fiques muitos anos, porque a nossa casa é a tua casa!

 

LUÍS MATEUS é subdiretor do Maisfutebol e pode segui-lo no TWITTER. Além do espaço «Sobe e Desce», é ainda responsável pelas crónicas «Era Capaz de Viver na Bombonera» e «Não crucifiquem mais o Barbosa» e pela rubrica «Anatomia de um Jogo».