Cinco golos em cinco jornadas, nove golos em sete jogos oficiais. Os números não enganam e parecem retirados daquela temporada de outro planeta, em 2007/08, quando pulverizou todos os máximos com a camisola do Manchester United. Se o bis ao Zurique sugeria um regresso iminente do Super Ronaldo, os jogos seguintes confirmaram-no em pleno.
Esqueçam-se os penalties para a estatística, os livres com ritual para a TV, os sorrisos forçados e as piscadelas de olho para a fotografia. No El Madrigal, poderoso e confiante, Ronaldo pegou na bola e foi por ali fora, com a facilidade de um miúdo a brincar no recreio com os mais novos. Era isso que fazia a diferença nos melhores tempos em Old Trafford. É bom ter a certeza de que pode continuar a sê-lo. Mesmo com o peso de uma transferência recorde e uma imagem mediática difícil de gerir.
Às vezes por culpa própria, outras vezes sem culpa nenhuma, a personagem Cristiano Ronaldo está destinada a extremar as opiniões a seu respeito. Demasiadas vezes, as compreensíveis resistências ao folclore que rodeia a estrela distorcem a apreciação ao jogador. Depois de mais um desencontro com os adeptos, ao serviço da Selecção, este final de Setembro está a trazê-lo de volta, intacto, e com estrondo, naquilo que verdadeiramente interessa a quem gosta de futebol.
Assim possa continuar em Outubro, nos jogos com Hungria e Malta. Para que a luz genuína do enorme jogador coloque no devido lugar o brilho postiço da estrela.