Vitória indiscutível.

O Sporting passa com distinção no exame do Dragão, e atira quase toda a pressão para o Benfica, talvez no momento mais sensível do rival nos últimos meses.

Quase toda, porque não deixa de estar obrigado vencer o Vitória de Setúbal ou pode, pela primeira vez, pôr-se a jeito para os encarnados poderem festejar o título matematicamente logo na Madeira. 

No Clássico, ganhou a única verdadeira equipa em campo. Dominou os momentos do jogo, acelerou quando quis – notou-se sobretudo após o empate – e chegou com relativo à-vontade a um resultado muito difícil de alcançar, em tempos recentes, no mesmo estádio.

João Mário fez uma exibição soberba. Slimani foi mais uma vez o fim da linha da construção. (O que reforça também o desnorte da defesa portista. Se alguém não podia ser nunca esquecido seria o argelino).

Com o FC Porto sem confiança, sem objetivos por que lutar e com o passo atrás dado pelo seu treinador em relação às escolhas mais próximas no tempo, os leões dominaram por completo um rival em plena crise de identidade, demasiado sôfrego para aproveitar as oportunidades que foi conseguindo criar. E até foram algumas.

Do lado de Jesus foi uma clara manifestação de poder. Que deu ainda mais ênfase às palavras ditas após o encontro, e ao «há outro que em seis [clássicos] perdeu cinco». Os mind games vão continuar até ao fim. A pressão estará no auge, nos Barreiros, se o Sporting cumprir o seu papel e bater os sadinos.

O Benfica apresenta-se num dos momentos mais instáveis. Mais do que o cansaço físico e emocional (para mim, mais emocional) de alguns jogadores, que admito que exista, aos encarnados têm faltado os golos de Jonas e Mitroglou, que sustentaram antes vitórias mais folgadas. Mas, com maior ou menor dificuldade, têm vencido e ainda garantem o estatuto de favoritos nos dois jogos que faltam. Continuam a depender só de si.

O Marítimo, nos Barreiros, apresentar-se-á como a penúltima barreira ao tricampeonato.

Uma coisa é certa. Com tantos triunfos consecutivos e muitos com um domínio absoluto, o Benfica tem a chave do título, só precisa de reencontrá-la.

Se não o fizer, o Sporting será também um digno campeão!

 

LUÍS MATEUS é subdiretor do Maisfutebol e pode segui-lo no TWITTER. Além do espaço «Sobe e Desce», é ainda responsável pelas crónicas «Era Capaz de Viver na Bombonera» e «Não crucifiquem mais o Barbosa» e pela rubrica «Anatomia de um Jogo».