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Ao 41º duelo, o Portimonense festejou a primeira vitória diante do Benfica.

António Folha conseguiu um feito histórico para o emblema algarvio, que escapou a nomes históricos como José Augusto, Manuel de Oliveira, Manuel José, Manuel Cajuda ou Vítor Oliveira.

Se este já é motivo mais do que suficiente para elogiar o técnico de 47 anos, o louvor sai reforçado pela coerência que Folha conserva, mesmo perante a relevância do resultado frente ao Benfica.

Não seria o primeiro técnico a aproveitar uma ocasião assim para se colocar em bicos de pés, mas o técnico do Portimonense preferiu relativizar um feito inédito.

«Os sócios estão contentes porque nunca tinham ganho ao Benfica, mas, para mim são mais três pontos. É isso que me motiva. Se calhar, mais tarde, quando eu for velhinho, de bengala… agora não, o futebol é muito efémero. Isto passa muito rápido e daqui a três dias temos um jogo com o Marítimo e, se perdemos, os adeptos também vão reclamar. Ando nisto há muitos anos e já não me iludo», afirmou.

Questionado sobre a ambição europeia que começa a crescer entre a massa associativa, Folha respondeu que talvez sejam os mesmos adeptos que à quarta jornada antecipavam uma descida de divisão, quando a equipa procurava ainda a primeira vitória.

O Portimonense teve um defeso atribulado, com lacunas evidentes na frente de ataque: Pires foi emprestado poucos dias antes do arranque da Liga e Jackson Martínez estreou-se apenas a 23 de setembro, após dois anos de inatividade.

Apesar de estar em época de estreia na Liga, e naturalmente mais pressionado pelos resultados do que na formação do FC Porto, Folha manteve-se fiel a uma identidade que não o valoriza apenas a si: promove os jogadores, o emblema que representa e o futebol português.

Folha recusa-se a ter medo de perder, e os jogadores sentem que não é conversa fiada. Isso não basta para ganhar, mas é um bom ponto de partida.