A Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária está a realizar uma megaoperação para desmantelar uma associação criminosa de extrema-direita relacionada com atos de discriminação e incitamento ao ódio - que tem como vítimas imigrantes de países islâmicos, alguns das quais foram mesmo agredidos em manifestações, como aconteceu no 25 de Abril, em Lisboa, e na estação de serviço de Aveiras, no último feriado de 5 de Outubro.

Em comunicado, a PJ confirma que, até ao momento, foram detidos 37 suspeitos com vastos antecedentes criminais e com ligações a grupos de ódio internacionais.

«A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional Contraterrorismo, desencadeou, hoje [terça-feira], uma vasta operação policial que decorreu em todo o país, com a finalidade de desmantelar uma organização criminosa responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas», lê-se na nota sobre a operação «Irmandade».

Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes de mesma natureza, é considerado o líder deste grupo - para o qual passa instruções a partir da cadeia. A investigação da PJ, articulada com o DIAP de Lisboa, incide sobre a difusão de mensagens e outros conteúdos xenófobos e racistas nas redes sociais - que acabam em ações violentas de rua com palavras de ordem de incitamento ao ódio contra comunidades imigrantes.

Entre os detidos há elementos ligados ao Grupo 1143, fação radical da claque Juventude Leonina, do Sporting, nomeadamente os membros do grupo que agrediram e roubaram um imigrante indiano na estação de serviço de Aveiras, na tarde de 5 de outubro: Rachhpal Singh, de 29 anos, foi rodeado por dezenas de homens que viajavam de forma organizada, em autocarros, para comemorar o aniversário daquele grupo neonazi.

A vítima, que parou na estação de serviço para beber um café, relatou depois que foi cercada com insultos e palavras de ordem como «vai-te embora para o teu país», tendo a seguir sido agredida à cabeçada e, já no chão, com pontapés. Roubaram também o telemóvel a Rachhpal Singh, que acabou a passar a noite no hospital com vários ferimentos. Por este caso, os agressores respondem ainda por roubo e ofensas à integridade física.

«No decurso da operação “Irmandade”, que contou com cerca de 300 elementos de diversas unidades da PJ, foram ainda constituídos mais 15 arguidos e realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias», acrescenta a nota da PJ.

Os detidos, com idades entre os 30 e os 54 anos, «adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes».

«Os visados são suspeitos de terem fundado uma organização criminosa com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à descriminação, ao ódio e à violência racial, tudo isto no seio de uma estrutura hierárquica e fortemente estabelecida, com distribuição de funções. No âmbito da operação foi, ainda, apreendido um vasto material de propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema-direita violenta, nomeadamente neonazi, bem como armas diversas».