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Conheça a promessa que trocou o Benfica pelo Liverpool

Ao final da tarde, foi a vez do jogador falar com o nosso jornal, apresentando-se aos portugueses numa entrevista similar a uma história de vida. Toni está no Liverpool, Mesca e Kaby na formação do Chelsea. Todos nascidos na Guiné-Bissau, criados em Portugal e internacionais pela nossa selecção. Agora, crescem no futebol inglês.

Antes de mais, como chegou até ao Liverpool?

«Fiz a pré-época com o Fulham, entretanto fizemos um jogo-treino frente ao Liverpool, eles gostaram de mim e, passados dois dias, estava a treinar no Liverpool. Assinei contrato profissional e aqui estou.»

Mas também foi cobiçado pelo Chelsea?

«Sim, estive vários meses no Chelsea, na época passada, mas estava inscrito pelo Benfica e o Benfica pedia muito dinheiro pelo meu passe, acho que 300 mil euros. Então voltei para Portugal, deixámos o tempo passar e assim, como terminou a época, ficou mais fácil. Vim para o Fulham para servir de ponte para o Chelsea, mas entretanto surgiu o Liverpool.»

Voltando atrás, em que clubes jogou em Portugal?

«Vim da Guiné com a minha mãe, para a Damaia. Quando cheguei, nem falava português. Corria na rua, corria muito, até que encontrei uns miúdos a treinar, no Damaiense. Voltei a casa e pedi para me levarem lá. O treinador foi excelente, porque entendeu que eu não falava português e sempre me deu todo o apoio.»

Entretanto saiu para o Real Massamá?

«Sim. Antes houve o interesse do Sporting e cheguei a estar três dias na Academia, em Alcochete, só que o Damaiense pedia muito dinheiro por mim. Fiquei e só saí no final da época. Estive três meses no Real Massamá e de lá fui para o Benfica.»

Como foi esse tempo no Benfica?

«Gostei muito de lá estar, sempre fui benfiquista, mas foi complicado. No início do segundo ano, queriam que assinasse o contrato de formação e, como eu não o fazia, proibiram-me de jogar. Em Dezembro, recebi o BI português e fui chamado à selecção, mas o Benfica não me deixou. Então, cheguei a pegar nas minhas coisas e ir para casa.»

Mas chegou à selecção mais tarde. Porquê Portugal?

«Nasci na Guiné, a minha mãe é de lá, mas o meu pai é português. Portanto podia escolher. E para mim é melhor estar na Europa, jogar por Portugal. Sinto-me português.»

Agora sente-se feliz?

«Muito mesmo. Assinei contrato profissional com o Liverpool e treino com os sub-16 ou os sub-18. O mister é espanhol portanto ajudou-me muito, na linguagem. Em Portugal, eu jogava como médio ofensivo em 4x3x3. Eles aqui jogam todos em 4x4x2. Então comecei por ser extremo esquerdo, mas entretanto experimentaram-me como segundo avançado, marquei dois golos e convenci.»

Está num centro de estágio do Liverpool?

«Não, aqui em Inglaterra é diferente, não há centros para os jovens ficarem. Os clubes preferem meter os jovens em casas de famílias. É o que está a acontecer comigo. Depois, o centro de treinos dos jovens é muito longe do centro dos seniores, mas já fui ao estádio do Liverpool e adorei. Passei o jogo a filmar os adeptos, não o jogo. Isto é um sonho.»

E por quem vai torcer, no Benfica-Liverpool?

«Ora bem, espero que me percebam. Em Portugal sempre disse que era benfiquista. Ainda por cima joguei lá. Sou benfiquista mas vou torcer pelo Liverpool. Estou cá agora e sempre torci pelo clube em que jogo. Portanto, estarei pelo Liverpool, nesses jogos.»