Apesar de ambos os conjuntos terem estado em acção durante a semana, se bem que as emoções finais nos jogos de Verona e Londres tenham sido distintas, os dois treinadores pouco mudaram nas estruturas apresentadas. Carlos Carvalhal manteve oito dos atletas que iniciaram a partida com o Chievo (Castanheira, Maciel e Marcel foram as novidades) e Jesualdo Ferreira apostou em nove dos que entraram no onze inicial frente ao Arsenal (Ezequias e Raul Meireles entraram nos lugares de Ricardo Costa e Cech). Os dragões mantiveram, assim, o 4x4x2.

Ritmo alucinante desde o primeiro momento

Dados lançados e um ritmo frenético, louco mesmo, no escorregadio tapete do estádio do Sp. Braga. Uma espiral de futebol ofensivo desde o primeiro minuto, que só podia resultar numa boa partida de futebol. Uma prova de que não nos precisamos de envergonhar constantemente diante dos melhores campeonatos europeus. Em Portugal também é possível assistir-se a bons espectáculos, assim o queiram os principais intervenientes.

Louve-se, por isso, a mentalidade de um Sp. Braga que é cada vez mais um grande do nosso campeonato. De peito feito para o dragão, os bracarenses não se atemorizaram perante o escandaloso falhanço de Lucho Gonzalez, logo aos três minutos, e a partir daí obrigaram Helton a muitas e boas defesas. Adivinhava-se a qualquer momento a chegada dos golos, tal a quantidade de lances jogados em ambas as áreas, mas desconhecia-se qual a primeira baliza a ser violada. Foi a do F.C. Porto.

Após um lance de Wender na esquerda, Marcel aproveitou um ressalto e, bem colocado na área do F.C. Porto, rematou de pronto. Era o regresso do brasileiro aos golos, uma prova de que continua «vivo» o homem que encantou Coimbra durante época e meia. Este era o melhor período do Sp. Braga e, em contraponto, o pior dos dragões. Atento à angústia da equipa, Jesualdo abdicou de Paulo Assunção, recuou Raul Meireles para «trinco» e apostou em Lisandro para o trio de ataque. A roupagem dos dragões ficou melhor ajustada às suas necessidades, mas a equipa tardava em reentrar no encontro.

Ainda assim, quem tem executantes da qualidade de Quaresma, está sujeito a deliciosas surpresas. O golo de Postiga, mesmo antes do intervalo, foi mesmo isso: uma surpresa, embrulhada com o jeitinho único de Quaresma, que colocou a bola ao segundo poste, para o avançado cabecear.

Nem em 3x4x3 o F.C. Porto lá foi

Manteve-se a dinâmica de pressão mútua na etapa complementar, até que Carvalhal decide renovar a energia e a ambição da sua equipa. João Pinto e Césinha entraram para os lugares de Wender e Césinha e, um minuto depois, surgiu o redentor golo de Luís Filipe. O lateral tentou a sua sorte de muito longe e, beneficiando do relvado estar escorregadio, bateu Helton. O brasileiro tem a desculpa do estado do terreno, mas pareceu-nos que poderia ter feito melhor.

A perder, Jesualdo colocou Vieirinha e, mais tarde, Alan no terreno de jogo. Um recuo no tempo, já que os campeões nacionais passaram a actuar no 3x4x3 que Co Adriaanse venerava. Já com muitos dos jogadores em evidentes dificuldades a baliza de Paulo Santos foi inúmeras vezes assaltada, mas o marcador manteve-se inalterável. Os bracarenses venceram e chegaram aos dois pontos, somente a dois do F.C. Porto.

Boa arbitragem de Lucílio Batista.