Compreensível, de resto. A formação de Jorge Jesus fez uma exibição de alguma raça, é verdade, mas muito pouco talento. Naquela altura o Trofense defendia com todos, com urgência em atirar bolas para longe da área sem critério. Mesmo assim, o Sp. Braga só conseguia perigo muito raramente e através de jogadas de insistência.

O que acabou por ser um pouco o retrato de toda a partida. Os bracarenses atiraram-se desde o primeiro minuto para cima do adversário, assumiram os pergaminhos de uma equipa com bem mais talento e criaram uma ocasião de golo logo aos dois minutos. O Trofense defendia com quase todos e procurava uma vez por outra sair para o ataque. Com o tempo a intenção de marcar foi-se perdendo.

Mesmo assim, é justo dizer nesta fase que a melhor oportunidade de golo até Alan desfazer o empate tinha pertencido à formação da Trofa. David Caiado, acabado de entrar, roubou uma bola a Luís Aguiar, tabelou com Milton do Ó e isolou-se na cara de Eduardo, mas não conseguiu ultrapassar o guarda-redes: o remate foi travado com o pé.

Muito querer, muita vontade, mas pouco talento

Ora por aqui já se percebe com o Sp. Braga atacou muito, mas raramente bem. A equipa parece acusar um cansaço natural para quem já leva uma época tão longa. Um cansaço que se nota sobretudo na dificuldade de conseguir inspiração para dobrar adversários mais humildes. Os jogadores parecem querer com todas as forças, mas não conseguem.

Mesmo assim, mesmo sem jogar com velocidade, com imaginação ou com critério organizativo, o Sp. Braga foi sempre melhor. Foi aliás a única equipa a querer vencer o jogo. Criou uma, duas, três, quatro, cinco oportunidades para marcar. À sexta marcou mesmo, pelo referido Alan, ele que antes já tinha desperdiçado três ocasiões parecidas.

No final a vitória não sofre contestação. Não foi brilhante, não foi sequer segura, mas foi intocável. O Sp. Braga ultrapassa temporariamente o Nacional, colocando-se no quarto lugar à espera do que o adversário faça. Mais importante do que isso, ganha vantagem na defesa do quinto lugar, o último europeu. O Trofense é mais último.