Sp. Braga com fibra, pulmão, até sorte de campeão. Segundo lugar assegurado, numa caminhada histórica. Eduardo como símbolo dos Guerreiros, segurando o nulo antes da estocada solitária de Meyong (1-0). Coelho a dar sabor à festa arsenalista, antes da derradeira investida para a conquista do título. Eles acreditam.

Salvador, há aviões? A pergunta dos adeptos denunciava a esperança tremenda. O Sp. Braga ultrapassou o penúltimo obstáculo, resiste na corrida e visita o Nacional da Madeira com a ambição intacta. Noite de ouro sobre azul, com ouvidos no clássico.

Portas abertas, política de António Salvador no passado recente. O presidente do Sp. Braga, não raras vezes acusado de inflacionar o preço dos bilhetes, conquistou definitivamente os adeptos e virou motivo de idolatria. No momento decisivo, a borla para unir os Guerreiros.

Ainda assim, ligeiro travo a desilusão arsenalista. As clareiras numa bancada (21.463 espectadores), em dia de festa anunciada e sem peso na carteiras, provam que largas centenas de adeptos têm o coração dividido. Muitos optaram pelo F.C. Porto-Benfica. O Sp. Braga conquistou outros. Com o tempo, espera chegar a todos.

A moda do chuta e corre

Domingos Paciência reinventou a estratégia na recta final da Liga. Sentiu a frescura física da equipa e recorreu à velocidade estonteante de Matheus. Num abrir e fechar de olhos, surgiu um Sp. Braga à moda das camadas jovens. O mais veloz na frente, bolas bombeadas a partir do meio-campo, numa corrida desenfreada contra o tempo.

A formação arsenalista apresentou duas novidades. Moisés retomou o seu posto de patrão na defesa, o goleador Meyong desviou Rentería para o banco. Na fórmula ofensiva, um comboio com ambições de TGV, o camaronês emperrou.

O P. Ferreira chegou a Braga com a missão cumprida. A permanência está assegurada, sem o treinador que preparou a época (Paulo Sérgio), o principal criativo (Cristiano) e o homem-golo (William). Os castores resistiram, montaram novo dique e ainda olham para águas internacionais.

Bancadas pintadas de vermelho e branco, vintena de pacenses para quebrar a hegemonia, ambiente de festa no Estádio AXA. Pontapé de saída. O Sp. Braga a tentar resolver cedo, antes que as pernas falhem.

Danielson foi o protagonista da etapa inicial. Cometeu uma grande penalidade sobre Alan (9m), não assinalada por João Ferreira, e conseguiu anular a velocidade de Matheus para um desarme soberbo (23m), quando já se ouviam festejos.

Eduardo saboreou o Coelho

Baixando as linhas, a equipa da Capital do Móvel evitou o «chuveirinho» encomendado por Domingos Paciência, libertando amarras para aproximar-se da baliza de Eduardo. Maykon retomou o seu posto à esquerda e Pizzi, jovem endiabrado cedido pelo Braga, incomodou lá na frente.

O golo de Bruno Alves, no clássico, despertou as gentes minhotas, ansiosas por uma segunda parte a condizer. O Sp. Braga reentrou para encontrar a felicidade. E nesse momento, como em tantos outros, Eduardo comprovou o seu valor.

Bruno Di Paula, numa falha incrível de Moisés, ficou com a baliza à sua mercê. Eduardo voou para negar o golo ao brasileiro. Pouco depois, tombava o Paços, com um frango de Coelho. Dois momentos, dois guarda-redes, um mundo de diferenças.

Meyong aproveitou a falha pacense para quebrar o nulo (56m). O avançado camaronês partiu de posição irregular para festejar. O Benfica empatava no Dragão, o F.C. Porto marcava novamente e soltava a festa completa no Estádio AXA.

O Sp. Braga jogava e ganhava em dois campos. Garantia o segundo lugar, a Liga dos Campeões e uma derradeira hipótese para chegar ao título. Ouro arsenalista sobre azul.