Uma noite de coragem do Sp. Braga permitiu-lhe entrar a vencer na fase de grupos da Taça UEFA. A vitória sobre o Portsmouth, somada ao triunfo do Milan na Holanda sobre o Heereveen, significa um começo admirável da formação de Jorge Jesus. Nesta altura está na frente e viu dois adversários directos pelo terceiro lugar perder pontos.
Foi aliás o Sp. Braga mais forte da época. Foi pelo menos o mais destemido. Enorme no sofrimento, no querer, na união, na bravura. Perante um adversário cheio de estrelas, que se alimenta a petrodolares de um anónimo magnata russo, a formação de Jorge Jesus soube ser corajosa e decidir o jogo quando teve oportunidade para isso.
A noite esteve longe de ser fácil, ao contrário do que o resultado indica. Também não se esperava outra coisa, claro. O Portsmouth é uma equipa fisicamente muito forte e que tem um trunfo poderoso: Crouch. Todas as bolas lhe vão parar. Os vinte centímetros de vantagem sobre os centrais bracarenses faziam o resto: cada jogada, um sofrimento.
Com enorme valentia, a defesa do Sp. Braga foi afastando o perigo como podia. Se não conseguia anular Peter Crouch, pelo menos estorvava-o. O que chegou para manter a baliza inviolável. Ainda que pelo meio, quando dois golos faziam a distância no resultado, tenha havido um golo anulado ao Portsmouth sem se perceber bem porquê.
Uma força animada pelas bancadas
Foi um instante de sorte, que serviu para manter a equipa tranquila e as bancadas animadas. Grande parte da coragem bracarense chegou dos adeptos, de resto. Marcaram o compasso que inspirou Luís Aguiar para o remate, na marcação de um livre, que abriu o resultado logo aos sete minutos. E não voltaram a calar-se um instante que fosse.
Até ao intervalo pertenceram aos ingleses as melhores ocasiões de golos, mas foram apenas um par delas: ambas em remates de Defoe, após assistências de cabeça de Peter Crouch. Eduardo defendeu ambas. Logo no primeiro minuto da segunda parte Luís Aguiar descobriu Meyong, que abriu as pernas e lançou Rentería para o segundo golo.
O Sp. Braga marcava a abrir as primeira e segundas partes e com isso resolveu o jogo. A partir daí o Porsmouth desmoralizou-se. Entrou num jogo truculento, que serviu na perfeição a uma formação bracarense brava como poucas vezes. Sobre o noventa minutos, uma distracção permitiu a Alan fazer o terceiro golo e estabelecer o resultado final.
Um resultado que não deixa dúvidas. Depois do empate em Guimarães, o Portsmouth foi inapelavelmente batido no regresso ao Minho.