Matheus Reis é a voz da experiência no balneário do Sporting. Tricampeão, um dos capitães, passou por toda a transformação que o clube viveu. Ele é, aliás, um dos cinco jogadores do plantel, ao lado de Pote, Nuno Santos, Gonçalo Inácio e Quaresma, que estiveram nos três títulos.

Em entrevista ao Maisfutebol, e numa altura em que se prepara para renovar, o brasileiro confessa que ainda não pensa no final da carreira, diz que pode dar muito ao clube - dentro e fora de campo -, e recorda uma conversa com Geovany Quenda na semana passada.

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Tem 30 anos, vai renovar, acredita que pode terminar aqui a carreira?

Bem, a minha intenção é acabar lá para os 40 anos. [risos]

Como o Cristiano Ronaldo.

Como o Cristiano Ronaldo, isso mesmo.

O que implica ainda dar um saltinho à Arábia Saudita, para fazer um grande contrato.

Pois é [risos]. Mas quero continuar aqui o mais tempo possível. Enquanto puder ajudar a equipa, dentro de campo ou fora de campo, a conversar com os miúdos mais novos que chegam e a passar as experiências, eu quero ficar. Claro que a cada ano que passa a exigência aumenta, mas enquanto puder continuar e contribuir para o sucesso do clube, eu quero estar aqui.

Conversou muito com Quenda, quando ele teve de passar de extremo para um lateral ofensivo?

Sim, sim. Aliás, ainda na semana passada estivemos a falar. Dei-lhe um toque para falarmos da questão defensiva, porque o aspeto ofensivo dele é espetacular. Mas quando um jogador está habituado a jogar como extremo e tem de marcar mais, é normal ter mais algumas dificuldades.

De que é que falaram na semana passada?

Estivemos a falar dos apoios, da forma de fechar, porque um segundo que ganhamos nos apoios significa uma vantagem muito grande. Ainda para mais com ele, que é extremamente rápido. Por isso vou tentando ao máximo dar uns toques e ajudar os mais novos. Quando cheguei ao Sporting, também recebi isso de jogadores mais velhos, como o Coates e o Feddal. Recebi muito deles e agora, como mais velho, é a minha vez de passar.

E os jovens gostam de ouvir?

Gostam muito, sim. Mas o grupo é muito comunicativo. Toda a gente fala, toda a gente ouve, toda a gente cobra dos outros, por um objetivo maior, que é vencer. Às vezes temos as nossas discussões, as nossas brigas, mas é em prol de no fim vencermos.

Os jovens de hoje em dia ainda precisam de levar um encontrão para respeitarem os mais velhos?

Ah, isso claro, sempre. Temos de dar aquela ‘chegadinha’ para eles perceberem onde estão. É normal. Tem de haver isso, para eles não se empolgarem. Mas são miúdos espetaculares. Vieram para ajudar e ajudaram muito nos momentos em que mais precisamos.