O arguido Afonso Ferreira admitiu em tribunal ter fugido «em pânico» da academia do Sporting, a 15 de maio de 2018, quando viu «Bas Dost apoiado nos ombros de duas pessoas».

«No corredor, antes de entrar para o balneário, vejo o Bas Dost aos ombros de duas pessoas, entrei em pânico e fugi dali. Só queria era sair dali, não foi para aquilo que eu fui lá», disse o arguido na 33.ª sessão do julgamento da invasão à academia do Sporting, em Alcochete.

Afonso Ferreira, que à data dos factos tinha 19 anos, disse não se lembrar de «ter visto sangue» no corpo do futebolista holandês, atingido na cabeça com um cinto durante a invasão.

«Alguém disse: 'Isto correu mal, vamos embora'»

O arguido, que entrou na academia com a cabeça «coberta com uma balaclava [gorro justo que oculta a cara] e em passo de corrida», disse ter ido a Alcochete para «fazer pressão verbal para ver se os jogadores reagiam».

«Ia pedir justificações aos jogadores, na Madeira [derrota por 2-1 do Sporting frente ao Marítimo] houve falta de compromisso da parte de alguns jogadores», disse.

Durante a manhã, foram também ouvidos os arguidos Miguel Ferrão, Paulo Patarra e Jorge Almeida que disse ter ido a Alcochete para «dar uma força aos jogadores para o jogo de domingo [final da Taça de Portugal, com o Desportivo das Aves]».

Os quatro arguidos, tal como a maioria dos que já foram ouvidos em sessões anteriores, mostraram-se arrependidos dos seus comportamentos.

O julgamento, que prossegue à tarde com a audição de um arguido e uma testemunha, tem duas sessões agendadas para a próxima semana, nas quais serão ouvidos os arguidos Nuno Mendes «Mustafá», líder da Juventude Leonina, e Bruno de Carvalho, presidente do clube à data dos factos.