Rui Borges, treinador do Sporting, na conferência de imprensa que se seguiu ao triunfo sobre o Estoril (3-0), no Estádio de Alvalade, em jogo da 24.ª jornada da Liga:
Análise ao jogo e terceira época com mais de 60 golos à 24.ª jornada
«É mérito do trabalho, da equipa, dos treinadores, da estrutura. É um todo que é importante no dia-a-dia do Sporting. Em relação ao jogo, duas partes diferentes. Entrámos bem, não deixámos o Estoril jogar com bola, era importante não lhes dar essa confiança. Fomos sempre proativos. Fomos ao longo do tempo isso e, com bola, fomos sendo muito dinâmicos, fiéis à nossa ideia de jogo, à nossa imagem. Com qualidade, conseguimos chegar à zona de finalização e atacar as costas da linha defensiva do Estoril.»
«Na segunda parte começámos a falhar demasiados passes quando ganhávamos a bola. Começámos a deixar que o Estoril ganhasse a confiança que não teve na primeira parte. Andaram mais perto da nossa baliza, a equipa manteve-se minimamente concentrada, a dupla de centrais fez um grande jogo. Pessoalmente, acho que foi um dos melhores jogos do [Gonçalo] Inácio. Era importante estarmos ligados nesse momento, conseguimos isso até ao fim. Mesmo assim fomos conseguindo sair, mas a obsessão de chegar à baliza levou-nos a perder muitas bolas. A malta que entrou trouxe alguma calma, era também importante alguma energia extra que perdemos em relação à primeira parte. Portanto, partes distintas, mas um jogo competente da nossa parte».
Morita está em grande forma, Daniel Bragança está a crescer e a marcar golos. João Simões está a perder espaço?
«Perder espaço? O Simões entrou antes do Dani. Tratar-se de estratégia, tem a ver com os momentos dos jogadores. O Morita fez uma primeira parte extraordinária. Desde que cheguei ao Sporting sempre disse que era um admirador do Morita. O João também já fez grandes jogos. É estratégia, não perdeu espaço nenhum. Todos jogam a um nível elevado, hoje o João entrou muito bem, o Dani também. Tem a ver com o momento, com o adversário. Muito feliz por ter os três. O Dani também está a crescer, teve uma paragem longa, está a ganhar confiança no seu jogo. Muito feliz por ele ganhar essa confiança a fazer golos.»
Luis Suárez não para de marcar golos. Já fez esquecer Gyökeres?
«Só penso nos que tenho. O Luis tem feito uma grande época, hoje fez dois golos, perdeu mais bolas do que é normal e do que ele gosta. Foi ele próprio que me disse isso.»
O terceiro golo foi construído por Nuno Santos e finalizado por Bragança. Dois jogadores que vieram de lesões. O que sentiu?
«Em relação ao 3-0, senti que a vida felizmente dá-nos isto. Gostaria que nem um nem outro passassem pelas lesões que tiveram. São dois jogadores com grande qualidade técnica. O Dani fez um trabalho excecional no golo, mas a assistência do Nuno também é simples. Ele está ciente da outra parte, da parte física, e sabe que para voltar a ser o melhor Nuno vai demorar tempo. Ele trabalha como ninguém, nós temos de ter essa paciência, mas feliz por ver os dois em campo. Jogadores como eles são precisos no relvado.»
Que avaliação é que faz do reforço Luís Guilherme? Chegou em janeiro é já é um indiscutível no onze.
«Indiscutíveis não há. Tem jogado e isso é sinónimo que tem sido boa a adaptação dele. Tem correspondido ao que lhe tem sido pedido, tem vindo a crescer, está cada vez mais identificado com o Sporting, com a ideia, com a dinâmica do coletivo. Vai ser um miúdo com um futuro fantástico pela frente, mas vai continuar a trabalhar muito porque está numa equipa repleta de bons jogadores. Está no seu caminho e, felizmente, ainda bem que o temos do nosso lado».
Mobilidade do ataque do Sporting foi importante esta noite?
«A mobilidade da equipa é a nossa imagem. Não deixar os adversários confortáveis nas marcações. O futebol cada vez mais é mobilidade, dinâmica, não dá para ter o jogo parado. Dentro da nossa dinâmica, sabíamos que o Estoril ia pressionar alto, sabemos que o seu treinador gosta disso. É uma equipa que joga bem, tem uma identidade parecida com a nossa. Na segunda parte tivemos dificuldades, o Morita correu quilómetros. Era algo que sabíamos que ia acontecer pela variabilidade deles em termos ofensivos. Mas é a nossa marca. Procuramos sempre um outro comportamento, era importante ligarmos mais à frente, foi isso que aconteceu. O Luís quando baixava, a linha do Estoril parava, não tirava profundidade, e, dentro daquilo que é variabilidade das posições, conseguimos entender isso. Esses ataques à profundidade foi por aí, é a nossa imagem, a nossa dinâmica. A equipa está identificada com aquilo que é o nosso jogo.»