Matheus Reis confessa que não chorou, ao contrário da maior parte dos colegas, quando Ruben Amorim anunciou que se ia embora, mas apenas porque não consegue. No entanto, a tristeza foi enorme.
Em entrevista ao Maisfutebol, o brasileiro revela o que o treinador disse nessa altura no balneário e garante que espera um dia vê-lo voltar ao Sporting. Não consegue, aliás, imaginá-lo noutro clube em Portugal.
Pelo caminho, fala também do que quis dizer quando referiu que estava na altura de Gyökeres voar: gostava muito de vê-lo ficar em Alvalade, mas há alturas em que é melhor para todos deixar um jogador voar.
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O Matheus também chorou quando o Ruben Amorim anunciou que ia sair?
Não, eu sou muito difícil de chorar. Até a minha esposa diz: ‘meu Deus do céu, nunca te vi chorar’. Acho que só me viu chorar quando o meu filho nasceu. Eu não choro, mas quando o Ruben Amorim anunciou que ia sair, fiquei assim... Como posso dizer? Fiquei muito triste, porque senti que era um ciclo que acabava ali. Ele falou connosco, disse que era o cenário perfeito, que já tinha tido outras propostas que não lhe ofereciam estas possibilidades, que era uma grande oportunidade de montar um clube grande do jeito que ele pensa, que queria muito ir, que estava decidido e que estava feliz. O que podemos fazer numa circunstância destas? Temos de apoiar. Ele foi uma pessoa que nos ajudou muito e que foi muito importante. Foi difícil, claro que sim. A equipa estava ali com tudo redondinho, onze vitórias consecutivas, sabíamos que íamos fazer um ano espetacular e, de repente, tudo se encerra ali, a meio. Muitos jogadores sentiram isso, não é? Acho que isso que esse foi o sentimento mais duro. Ele era um treinador, mas também era um pai para muitos. A nossa ligação não era apenas de treinador e jogadores.
Portanto, o Matheus foi o único que não chorou?
Não, não chorei. Sou muito difícil de chorar, muito difícil. Não chorei, porém, fiquei triste por ele ir.
Curiosamente, agora o Sporting está a festejar, mas o Ruben Amorim não. Imagina que seja possível ele voltar a Portugal para um clube que não o Sporting?
Não sei... Eu acho que é difícil, muito difícil. Ele foi para o Manchester United num momento duro do clube e, se tiver tempo para mudar as coisas como quer, vai ter sucesso. Se um dia tiver de voltar para Portugal, espero que seja para o Sporting. Espero mesmo muito. Não consigo imaginá-lo noutro clube.
Porque é que no Marquês disse que era altura do Gyokeres voar? Foi para os adeptos não criarem falsas expetativas?
Um jogador deste nível, e que foi tão importante para nós, é inevitável haver muito rumores. Além disso, sabemos que o Sporting também tem sempre de vender, por causa da parte financeira do clube. É difícil, muito difícil segurar o Gyökeres, todos nós sabemos disso. Se por acaso ele ficar, espetáculo. Mas se ele sair, temos de continuar e tentar ainda ser mais fortes.
Há alturas em que é melhor para todos deixar um jogador voar?
Sim, eu posso ver as coisas por esse lado, mas prefiro ficar dos dois lados: o mais importante é o Gyökeres ficar feliz com ele. Se achar que ficando, fica bem, fica feliz, fica com a cabeça limpa... então ótimo, perfeito. Se ele achar que não quer ficar, porque não vai ficar bem e não vai conseguir ajudar, então aí não vale a pena, porque vai ser prejudicial para todos.
Já agora, qual foi o jogador mais difícil que enfrentou?
O Mahrez, quando estava no Manchester City. Um jogador que corta para os dois lados, remata com os dois pés, muito difícil de marcar.
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