O presidente do Sporting, José Eduardo Bettencourt, não coloca a possibilidade de sair do clube, a menos que essa seja a vontade dos órgãos sociais. O dirigente admitiu, no programa «Grande Entrevista» da RTP1, que os leões não vivem um momento fácil, mas vincou a ideia de que não é pior que aquele vivido pelos rivais. Gestão do clube, resultados desportivos, Paulo Bento, Izmailov e arbitragens foram alguns dos temas abordados.

«Izmailov tem sido um poço de contradições»

Bettencourt garantiu que não está «agarrado ao lugar», até porque está num «projecto» que faz «por paixão»: «A eleição é relativamente recente, foi há um ano e quatro meses. Há um mandato com um programa vasto. O momento desportivo está muito longe de ser o que os sportinguistas merecem, mas sou avaliado e sabem o tipo de trabalho que está a ser feito. Farei os possíveis para dar a cara e dizer que há coisas que merecem ser apoiadas. Há que valorizar as coisas boas que foram feitas. Mas, se os órgãos sociais acharem que existe uma alternativa melhor, convoco eleições na hora.»

As posições ocupadas por Costinha e Paulo Sérgio não estão em risco, foi outra ideia deixada por Bettencourt. «O único que tem de assumir responsabilidades sou eu», apontou, acrescentando: «Era uma falta de gratidão se arranjasse bodes expiatórios. Também peço responsabilidades, mas defendo as minhas equipas. Não posso pedir milagres ao Paulo Sérgio nem ao Costinha. O trabalho que se está a fazer vai dar resultados a curto prazo.»

«Objectivo é ultrapassar o segundo classificado»

O presidente compreende «que haja desânimo» entre os adeptos e define metas: «O objectivo, para já, é ultrapassar o segundo, que está a três pontos. Se os outros não estão em crise, porque é que nós estamos? Acredito sempre no título. Há muito campeonato para disputar.»

Possíveis falhas nas contratações foram desvalorizadas: «Ninguém põe em causa que o João Pereira é bom jogador, o Maniche, o Pedro Mendes...»

Relativamente a Pongolle, Bettencourt explicou que a situação do jogador levou a que fosse tomada a melhor opção para todos: «É motivo de crítica no Sporting e em todos os clubes, porque não existe nenhum que não erre, nem jogadores que singrem sempre. O Sinama-Pongolle é um jogador com mercado. Teve situações pessoais que o marcaram muito. O investimento feito tem sido inferior ao dos rivais. Talvez se note mais os insucessos, mas não errámos mais que os outros. Quando corre mal é um mau investimento. O Roberto não foi um mau investimento, mas começou mal. Se calhar não teve tantos problemas pessoais, que lhe permitiram recuperar.»

Desde as eleições, o Sporting mudou de treinador e de director desportivo, Bettencourt considerou que o percurso errático do Sporting não passa de «uma contingência da vida»: «Fiz tudo para o Paulo Bento ficar. O Paulo quis sair antes e eu não deixei. Quando as pessoas começam uma época e já há manifestações organizadas, torna-se difícil. Obviamente, se o Paulo Bento tivesse ficado, em Janeiro íamos reforçar a equipa.»

«Quem não defende sempre a guerra não é um totó»

Na opinião de José Eduardo Bettencourt a polémica que tem existido à volta da arbitragem, com queixas do Benfica e do F.C. Porto, devia ser evitada: «O Sporting tem sido a instituição que mais paz dá. Ambos tinham de fazer um esforço. É uma situação perigosa para o futebol e para o país. Não se pode conduzir as pessoas a situações gravosas.»

Sobre as novas escutas: «Não gosto. O uso que foi dado às escutas choca-me. O conteúdo não me surpreende, indicia que, durante anos, terá existido viciação. Não concordo que agora tragam mais escutas. Temos de acabar com este dossier. Precisamos que as pessoas acreditem que quem não defende sempre a guerra não é um totó.»

[actualizado]