O Sporting despediu-se do Estádio de Alvalade com mais uma exibição sofrível e uma derrota merecida diante da Naval (0-1). Nem o objectivo de assegurar o quarto lugar, que acabou por ser entregue de bandeja pelo V. Guimarães, serviu de estímulo para os leões em fim de festa. As bancadas, com pouco mais de dezasseis mil adeptos, também desligaram-se da partida, seguindo com mais atenção as incidências no Dragão e acabaram por proporcionar um momento surrealista: o golo da Naval coincidiu com o golo de Farías no Dragão e os adeptos gritaram «golo» em uníssono.

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Carlos Carvalhal, sem poder contar com Pedro Mendes (lesionado), decidiu inovar na sua despedida de Alvalade, apostando num regresso ao losango, mas com algumas diferenças. João Moutinho jogou no vértice mais recuado, a servir de «pivot», Matías Fernandez a apareceu a jogar nas costas dos avançados e Miguel Veloso (direita) e Izmailov (esquerda) descaídos sobre as alas. Um esquema que o Sporting demorou a digerir revelando muitas dificuldades nas transições, particularmente quando perdia a bola, demorando a organizar-se em termos defensivos.

A Naval apresentou-se com o seu esquema habitual, com três centrais e uma meio-campo bem preenchido, a colocar muitas dificuldades na circulação de bola dos leões, apenas com Bolivia e Fábio Júnior mais adiantados. Com todos os acessos pela via central bloqueados, a equipa de Carvalhal inclinou-se para a direita, onde João Pereira e Miguel Veloso, com rápidas combinações, iam conseguindo abrir algumas portas. A Naval arriscava pouco, mas sempre que se aproximava da baliza de Rui Patrício provocava calafrios nas bancadas. A primeira oportunidade do jogo foi mesmo da equipa da Figueira da Foz com Giuliano a surgir destacado, depois de um choque entre Godeméche e Grimi, para atirar ao lado. O Sporting demorou a adaptar-se ao novo esquema, mas foi consolidando posições e ganhando confiança, embora, até ao intervalo, só tenho conseguido visar a baliza de Peiser com remates fora da área.

Carlos Carvalhal tentou emendar a mão na segunda parte, desviando Yannick Djaló para a esquerda e juntando Miguel Veloso a João Moutinho no «miolo», procurando equilibrar o número de «tropas» no miolo. Pior a emenda que o soneto. Os leões perderam equilíbrio e, pior do que isso, perderam o controlo do jogo. A Naval, sempre com o jogo controlado, ia experimentando uns «raids» que colocavam em evidência o desnorte dos leões, sempre com dificuldades para se reorganizarem defensivamente. Carvalhal foi mais longe e abdicou de Izmailov para lançar Postiga e o leão perdeu-se de vez.

Num rápido contra-ataque, todo ao primeiro toque, a Naval desembrulhou o jogo, com uma longa abertura para Giuliano na esquerda a partir o Sporting em dois. O médio cruzou depois largo para o lado contrário onde surgiu Fábio Júnior, sem qualquer oposição, a cabecear para as redes de Patrício. As bancadas levantaram-se em uníssono e gritaram «golo». Para os mais distraídos, a comemoração do golo dos visitantes não fazia sentido, mas os adeptos estavam apenas a comemorar o golo de Farías ao Benfica. Os golos do F.C. Porto e também o golo do Sp. Braga foram motivo de grande festa em Alvalade, até porque no relvado não se passava nada de interessante.

O Sporting teve mais bola, mas nunca conseguiu criar uma verdadeira oportunidade de golo e, até final, foi mesmo a Naval que esteve mais perto de voltar a marcar em Alvalade. Triste despedida dos leões e particularmente de Carlos Carvalhal dos seus adeptos.