Com a qualificação garantida, os sub-21 de Portugal foram à Hungria para cumprir um dos dois últimos jogos de apuramento para o Europeu de 2017 e quase nada correu bem.

Um empate a três bolas e uma imagem pálida e cinzenta, deixada na terra onde jaz Miki Féher, muito longe do que esta seleção sempre foi com Rui Jorge: muita posse, controlo sobre o adversário e muitos lances de finalização.

O selecionador mudou várias peças e estreou quatro jogadores neste escalão: Miguel Silva, o guarda-redes, Simão Azevedo, defesa-esquerdo, Geraldes, no meio-campo e Podence na frente.

Em relação à última partida, a que deu o apuramento para o Euro na Polónia, mudaram cinco homens. Saíram Joel Pereira, Yuri Ribeiro, André Horta, Ricardo Horta e Gelson Martins, este chamado por Fernando Santos. Para os seus lugares entraram os quatro estreantes e João Carvalho.

O jogo começou com uma clara oportunidade de golo para Portugal e por Diogo Jota. Um lançamento nas costas da defesa húngara e o avançado do FC Porto a surgir isolado. Demorou e depois, já dentro da área, tentou o passe para Podence só que saiu fraco e o guarda-redes recolheu a bola.

Lance simples, de «charuto» na frente, mas que resultou na perfeição com esta frágil defensiva húngara. Seria assim que logo a seguir os pupilos de Rui Jorge chegaram à vantagem.

Aos 10 minutos, lançamento longo de Francisco Geraldes a procurar a corrida de Jota. O portista já tinha ganho a frente, mas ainda contou com a preciosa ajuda do guardião Nagy. Este saiu da baliza e em carrinho tentou o corte, só que falhou na bola. A baliza ficou escancarada e Jota fez o primeiro.

Três minutos volvidos, o segundo golo. Mais uma bola nas costas, desta vez lançada por Rúben Neves, Jota volta a ganhar nas costas, parte da esquerda para o meio e quando João Carvalho lhe passa nas costas, deu de calcanhar para o assistir. O médio do Benfica contou com a ajuda do húngaro que tentou o corte e lhe ajeitou a bola. Depois meteu-a no ângulo superior esquerdo de Nagy.

Ora, esta vantagem madrugadora foi o pior que aconteceu a Portugal.

Baixou a intensidade e a concentração e os húngaros aproveitaram. Primeiro a Hungria baixou as linhas e impediu os lançamentos longos, depois foi percebendo que os lusos estavam em «modo passeio» e foram à luta.

Reduziram de penálti aos 28’, após perda de bola de Rúben Neves e falta (muito muito duvidosa) do guarda-redes Miguel Silva sobre Dominik Nagy. O mesmo converteu com qualidade.

O intervalo acabaria por chegar e Rui Jorge mexeu ao intervalo. Bruma entrou para o lugar de Rúben Neves, muito apagado, para tentar dar mais agressividade na frente e largura. Logo a abrir a segunda metade, Podence fez o terceiro que parecia matar a Hungria.

O extremo do Moreirense, ainda no meio-campo português, deu em Geraldes que o lançou em velocidade. O guardião Nagy saiu, mas mal, e Podence meteu-lhe a bola por cima. Foi só empurrar para o terceiro.

Portugal relaxou e pensou que estava feito! Não estava.

Os húngaros continuaram à espreita e aproveitaram duas vezes pelo lado esquerdo, em jogadas idênticas. Bola colocada entre Tobias Figueiredo e o lateral e um húngaro a entrar na área a finalizar. Primeiro Prosser aos 63’ e depois Balogh aos 78’.

A reação final de Portugal ainda podia ter resultado em 3-4, quer por Bruma quer por João Teixeira, mas sem pontaria.

O conjunto de Rui Jorge não mereceu mais do que isto. O conforto do apuramento resultou num empate, o segundo em nove jogos, e em três golos sofridos. Recorde-se que Portugal só tinha sofrido um golo nos restantes oito encontros.

Segue-se o Liechtenstein, na próxima segunda-feira.