Continua a agonia do Sporting neste início de ano, onde ainda não averbou uma vitória. O empate a zero em Olhão até acaba por ser lisonjeiro para a formação leonina, dado que foi a equipa da casa que teve mais e melhores oportunidades de golo.

Domingos Paciência apostou num trio de velocistas no ataque: Carrillo, Jeffrén e Capel, que sem posições fixas tentaram surpreender os algarvios, quer pelos flancos, quer com bolas para trás das suas costas. Uma estratégia que não deu frutos na primeira parte, porque faltou ajuda dos médios leoninos, apáticos e sem soluções para se livrarem das sombras de Fernando Alexandre e Cauê. Referimo-nos a Renato Santos e Matías Fernandez, porque Carriço viu-se e desejou-se para aguentar com o virtuosismo de Rui Duarte e a velocidade de Salvador Agra.

Além de não poderem contar com Elias, castigado, o Sporting viu-se privado também da ausência de última hora do lesionado Schaars, o que lhe retirou poder recreativo no miolo. E, sem muito jogo ofensivo efectuado pelos laterais, foram poucas as vezes que os leões colocaram a baliza do Olhanense em situações aflitivas. Na primeira parte, as excepções aconteceram nos primeiros quinze minutos, com remates de Matías Fernandez (livre à malha lateral) e Carrillo (jogada individual com remate interceptado pela defesa algarvia).

Ao invés, o Olhanense foi, no primeiro período, a equipa mais perigosa. Defensivamente, foi fácil domar os leões e soltar Rui Duarte, municiador de um tridente ofensivo que teve em Yontcha a força para lutar com os centrais leoninos, e teve velocidade nas alas, com Salvador Agra e Wilson Eduardo. Mas foi Cauê o mais perigoso dos homens de Olhão, com quatro remates à baliza de Rui Patrício, todos eles perigosos, mas de pontaria deficiente. Salvador Agra também tentou a sua sorte (37 minutos), mas o remate também careceu de pontaria.

Atitude do Sporting durou pouco

Bem diferente foi o início da segunda parte do Sporting. Com uma atitude mais ofensiva, os «leões» jogaram mais próximos da área do Olhanense e desperdiçaram boas oportunidades para inaugurar o marcador: aos 50 minutos Polga falhou de cabeça, e três minutos depois foi a vez de Jeffrén não acertar na baliza, já dentro da área.

E, quando parecia encostado às cordas, o Olhanense ressurgiu no jogo com três oportunidades de golo, talvez as mais claras até então, em dois minutos. Wilson Eduardo, por duas vezes (70 e 72 minutos) fez Rui Patrício candidatar-se a homem do jogo com defesas espantosas, feito que repetiu, numa recarga de Yontcha (72 minutos), a um dos remates de Wilson Eduardo.

O Sporting ficou baralhado com estes assomos do Olhanense e sentiu muitas dificuldades para voltar a aproximar-se da baliza de Fabiano Freitas. Só o conseguiu nos últimos minutos do jogo mas sem conseguir incomodar o guarda-redes da equipa algarvia. Muitos cruzamentos facilmente anuláveis.

Faltou lucidez no assalto final do Sporting e até seria Olhanense a desperdiçar a melhor oportunidade antes do último apito de Vasco Santos: Yontcha falhou na cara de Patrício. Uma cena de um filme, cuja história definiu o Olhanense como estando mais perto de ser feliz.