Não foi fácil o caminho até à final, mas o «leão mostrou a sua raça». O Atalanta foi o primeiro adversário e o Sporting precisou de três jogos para afastar os italianos. Em 1963/64 os golos fora valiam tanto como os caseiros e a eliminatória teve de ter desempate em campo neutro. Depois da derrota por 2-0 em Itália e da vitória por 3-1 no velhinho Alvalade, o Sporting venceu por 3-1 no Estádio Sarriá, em Barcelona.

Seguiu-se o muito modesto Apoel Nicósia. Sem dinheiro para pagar as viagens até Portugal os cipriotas aceitaram a «ajuda» do Sporting e realizaram os dois jogos em Alvalade. Os «leões» arrecadaram aquele que ainda hoje é recorde nas competições europeias: vitória por 16-1. Na segunda-mão, a cumprir calendário, venceram por 2-0.

O todo-poderoso Manchester United foi o adversário dos quartos-de-final. Em Inglaterra o Sporting foi derrotado por 4-1 e em Alvalade fez o que muitos julgavam impossível: venceu por 5-0, com três golos de Osvaldo Silva, um de Geo e outro de Morais.

Nas meias-finais a equipa leonina encontrou o Lyon e voltou a precisar de três jogos. Depois de empates em França (0-0) e Alvalade (1-1), o Sporting desempatou a seu favor em Madrid (1-0).

O adversário da decisão foi o MTK Budapeste. A final teve lugar a 13 de Maio, em Bruxelas. O jogo terminou empatado (3-3) após prolongamento e foi necessária uma finalíssima, dois dias depois em Antuérpia, para encontrar o dono do «caneco».

Morais entrou para a história. Aos 19 minutos marcou de canto directo o golo da vitória verde-e-branca. «Ensaiava muitas vezes esse tipo de lance. Só tinha de pedir ao Figueiredo para se pôr ao pé do guarda-redes, funcionando como ponto de referência, para lhe cortar a bola junto à cabeça. Ele tinha era de ter cuidado para não fazer obstrução. Nesse instante peguei a bola, acariciei-a como se fosse uma amante e disse-lhe baixinho que ela entraria directa na baliza do húngaro¿», recorda o herói da conquista, citado pelo site oficial do Sporting.

A «amante» satisfez o desejo: entrou e Morais marcou o golo épico. O Sporting conquistou o seu primeiro e único título europeu até ao momento. É a única Taça das Taças na mão de um clube português, já que a competição foi extinta em 1998/99.

SPORTING, TAÇA DAS TAÇAS, 1963/1964

Percurso até à final:

1ª Eliminatória:

Atalanta-Sporting, 2-0

Sporting-Atalanta, 3-1

Sporting-Atalanta, 3-1

(desempate em Barcelona)

2ª Eliminatória:

Sporting-Apoel Nicósia, 16-1

Sporting-Apoel Nicósia, 2-0

Manchester United-Sporting, 4-1

Sporting-Manchester United, 5-0

Lyon-Sporting, 0-0

Sporting-Lyon, 1-1

Sporting-Lyon, 1-0

(desempate em Madrid)

Final

Sporting-MTK Budapeste, 3-3 (a.p.)

(Mascarenhas, 40; Figueiredo, 45 e 80) (Sandor, 19; Kuti, 73; Sandor, 75)

Estádio do Heysel, em Bruxelas, 13 de Maio de 1964

3 mil espectadores

Sporting: Carvalho; Pedro Gomes, Pérides, A. Baptista, Carlos; Géo, F. Mendes; Osvaldo Silva, Mascarenhas, Figueiredo e Morais.

MTK Budapeste: Kovalik; Keszei, Dansky, Jenei; Nagy, Kovacs; Sandor, Vasas, Kuti, Bodor, Halapi.

Finalíssima

Sporting-MTK Budapeste, 1-0

(Morais, 19)

Estádio Bosuil, em Antuérpia, 15 de Maio de 1964

19 mil espectadores

Sporting: Carvalho; Pedro Gomes, Pérides, A. Baptista, Carlos; Géo, F. Mendes; Osvaldo Silva, Mascarenhas, Figueiredo e Morais.

MTK Budapeste: Kovalik; Keszei, Dansky, Jenei; Nagy, Kovacs; Sandor, Vasas, Kuti, Bodor, Halapi.