O jogo entre P. Ferreira e Desportivo de Chaves podia ser entendido como uma batalha de sonhos. De um lado a ilusão pacense de repetir a façanha da temporada passada. Do outro o sonho do Chaves em fazer história chegando, pela primeira vez na história do clube às meias-finais da prova. E o início flaviense foi de sonho.

Logo aos três minutos, Clemente ganhou uma bola na esquerda, deu um ligeiro toque para o meio e disparou. A bola nem levava muita força e parecia controlada por Cássio. Mas, inexplicavelmente, o guardião da casa largou-a e Diop não esteve com complacências. O D. Chaves entrava no jogo praticamente a ganhar e, sete minutos mais tarde, conseguiu aumentar a contagem. Livre superiormente executado por Carlos Pinto, só parou no fundo da baliza do P. Ferreira. O relógio marcava 10 minutos e a noite na Mata Real estava ainda mais gelada.

A traição de Bruno Magalhães

A somar à fulgurante entrada em jogo do D. Chaves, o P. Ferreira estava, claramente, desorientado. Movimentos decalcados e previsíveis, vários passes errados e muita falta de imaginação eram faces visíveis do amontoado de intenções que era, por esta altura, o futebol pacense.

O D. Chaves desceu à terra de forma cruel. Numa altura em que Cosme Machado começava a distribuir cartões por tudo o que mexia (no total foram 12 amarelos e um vermelho), Bruno Magalhães brincou com o fogo. Viu um amarelo aos 33 minutos e, três minutos mais tarde, rematou à baliza, quando o jogo já estava interrompido. O árbitro viu, não gostou e mostrou-lhe o segundo.

A partir desse lance, o P. Ferreira, naturalmente, cresceu. William, que já ao minuto 29 tinha desperdiçado soberana ocasião, foi o mais inconformado dos pacenses e teve a recompensa já no segundo tempo, altura em que, após cruzamento de Baiano, fez o 1-2. Faltavam cerca de 25 minutos para o final do desafio e adivinhava-se sofrimento para o lado transmontano.

Ciente de que guardar os trunfos não era boa política quando a queda parece iminente, Ulisses Morais usou cedo o que tinha. Bruno, um dos reforços de inverno, esteve perto, por duas vezes, de assumir protagonismo. Aos 79 e 86 minutos, o brasileiro disparou com perigo à baliza.

Os «castores» deram tudo o que tinham mas foram traídos pelo desastroso início. O D. Chaves foi guerreiro, entrou decidido, marcou e depois, quando se viu reduzido a dez, agarrou-se ao resultado. Agarrou-se ao sonho e chegou a bom porto. Todos têm direito a sonhar, mas nesta batalha de sonhos, o dos flavienses foi mais lindo.

Ficha de Jogo

Estádio da Mata Real, em Paços de Ferreira

Árbitro: Cosme Machado, assistido por Alfredo Braga e Nuno Manso

P. Ferreira: Cássio; Baiano, Ricardo, Kelly (Bruno, 38 min) e Jorginho (Pizzi, 18 min); André Leão e Leonel Olímpio; Candeias (Romeu Torres, 45 min), Livramento e Maykon; William.

Treinador: Ulisses Morais

Golos: William (64 min)

Cartões: Amarelo para Jorginho (10 min), Livramento (16 min), Candeias (31 min), Bruno (41 min), Carlitos (84 min), William (88 min)

D. Chaves: Rui Rego; Danilo, Lameirão, Ricardo Rocha e Samson; Bamba, Bruno Magalhães, Castanheira e Carlos Pinto; Clemente (Karim, 74 min) e Diop (João Fernandes, 45 min).

Treinador: Nuno Pinto

Golos: Diop (3 min), Carlos Pinto (10 min)

Cartões: Amarelo para Bruno Magalhães (33 min e 36 min), Bamba (38 min), João Fernandes (48 min), Carlos Pinto (72 min) . Vermelho para Bruno Magalhães (36 min)

Ao intervalo: 0-2