A igualdade a dois golos na Mata Real deixa-os lado a lado e com o bilhete de acesso mesmo aos seus pés. Falta saber quem o apanhará. Os próximos capítulos podem ser vistos na Choupana a 22 de Abril.

Algo tímidos, como quem coloca os pés em solo pouco confiável. Uns, os da Mata Real, mais expansivos nos primeiros instantes; os outros, os convidados, com receio de fazer danos em casa alheia.

Num futebol apoiado, de passe curto e muita circulação, o Paços lá foi tomando conta do encontro. A pouco e pouco, quase em bicos de pés, colocou-se na frente do opositor num momento de rara criatividade: passe inteligentíssimo de Ferreira e concretização de Leandro Tatu, mais forte no duelo com Maicon.

Com alguma parcimónia, mas também com mérito, o Paços iniciava melhor a contenda e por instantes até já tinha de olhar para trás para ver o seu oponente.

Mateus e Nené, a dupla do golo

O Nacional, uma das equipas-sensação da Liga, esticou o braço e em dois pontapés impulsionou-se para a dianteira. Nos dois primeiros remates que fez, a mesma conclusão: golo. Primeiro Mateus, após passe de Alonso, e depois pelo incontornável Nené. Desta vez, o melhor marcador do campeonato marcou na transformação de um livre directo. Pontapé fulminante ao ângulo superior direito da baliza de Coelho. Para ver, rever e aplaudir.

Tempo de descanso, período para o treinador Paulo Sérgio arriscar. Mais um avançado em campo (Edson) e um defesa nos balneários (Filipe Anunciação). A Mata Real exigia mais de um anfitrião demasiado diplomático. E a equipa fez a vontade aos sócios.

Numa estrutura a contemplar somente três defesas, o Paços começou realmente a incomodar o Nacional por terra e pelo ar. Rafael Bracali evitou em duas ocasiões o empate a Leandro Tatu mas o 2-2 haveria mesmo de chegar.

Dedé coloca lado a lado as duas equipas

62 minutos, golo de Dedé. O angolano aproveitou-se de um lance de confusão na área insular e atenuou uma actuação individual até aí medíocre. Igualdade reposta, justificadamente, e os dois candidatos a finalistas novamente ombro a ombro, desconfiados e sem saber muito bem o que fazer para dar um passo em frente realmente decisivo.

Até final Manuel Machado achou por bem gerir a igualdade, o que até se compreende, e acaba por sair do norte do país numa posição que o indica como favorito para a partida da segunda-mão. O Paços, pelo labor dos últimos 20 minutos, até poderia ter vencido, mas o empate é mesmo o desfecho que melhor descreve o que realmente se passou na partida.

Paços de Ferrera ou Nacional, a final da Taça de Portugal espera por um deles.