Ao contrário do que seria de esperar, o Torreense entrou mais decidido e a ganhar: Brito ensaiou um remate perigoso de meia distância, Paulo Santos defendeu para canto e Marçal centrou para o cabeceamento mortífero de Ruben Gouveia, um elemento perigoso que abalou de forma decisiva a defesa do Rio Ave. A equipa de Torres Vedras mostrava-se perigosa nos lances de bola parada.

Mas o confronto entre estas duas equipas espelhou a realidade: o Rio Ave, para além de revelar mais futebol, também teve um índice de aproveitamento inferior.

A formação orientada por António Pereira, conhecido como o «Mourinho» da II Divisão, jogava num passo mais lento, cabendo a Dorival e Mamadou NDiaye organizar a defesa, a Correia, Anta e Ruben Gouveia dobrar o meio-campo ofensivo, abrindo espaço entre linhas para compor as entradas de Brito, Pedro Alves e Carlos Alberto na área. Essa era também, aparentemente, a estratégia envolvida do contra-ataque. Mas parecia correcta, por muitos instantes, dado o desacerto de Gaspar, Jeferson e companhia nas marcações.

Aos poucos, as oportunidades do Rio Ave, geradas por João Tomás, Atsu ou Pateiro, desapareciam nos cortes de Anta, Dorival ou esfumavam-se nas luvas de Márcio Santos. Os vila-condenses ficaram-se pela ameaça.

Mas conseguiria a equipa de Torres Vedras resistir ao teste do tempo? Na baliza, o guarda-redes Márcio Santos afirmava que sim. A equipa da II Divisão continuava a acreditar na surpresa, porque enquanto o adversário não marcasse, a ilusão não desmaiava. E, de facto, até esteve perto de ampliar a vantagem: mais um canto de Marçal e a luva esquerda de Paulo Santos a negar a Carlos Alberto o golo.

Finalmente, após 68 longos minutos, Vítor Gomes apontou um livre com força, Márcio Santos defendeu para a frente e Jeferson concluiu. Golo. O Rio Ave sublinhava uma superioridade evidente.

A equipa atacava, agora, o jogo de outro ângulo e governou os destinos do jogo com olhar superior. Carlos Brito fez entrar Braga e Yazalde e havia um pronuncio de golo no ar. Mas o empate perdurou até aos 90 minutos.

Tempo extra da glória

No prolongamento, o contra-ataque do Torreense ressurgia e desaparecia, muito mais dependente da intensidade da pressão adversária do que propriamente da capacidade própria. Mas a equipa do Oeste manteve a capacidade para contra-atacar, através da pretensa acentuação ofensiva com a entrada de Ricardinho.

O Rio Ave vivia, a todos os níveis, mais balanceado para o ataque inconsequente. Revezes para a equipa, até porque Ruben Gouveia e Brito construíram uma boa jogada de envolvimento pela esquerda, a defesa dos «locais» não desfez o lance e Kaká finalizou com potência (1-2).

Pouco depois, aproveitando um mau atraso defensivo para Paulo Santos, João Pedro, de ângulo apertado, ampliou com serenidade e classe (1-3). João Tomás ainda reduziu através de grande penalidade, mas o rumo da eliminatória estava traçado. O Torreense segue em frente.

FICHA

Árbitro: Rui Patrício

RIO AVE: Paulo Santos, Jean Sony, Gaspar, Jeferson, Tiago Pinto; Vítor Gomes (Dinei, 79), Bruno China (Braga, 50), Pateiro; Christian Atsu, Kelvin (Yazalde, 62) e João Tomás

TORREENSE: Márcio Santos, André Santos, Dorival, Mamadou N¿ Diaye (Kaká, 43), Marçal; Anta, Correia, Ruben Gouveia, Pedro Alves (João Pedro, 56), Brito e Carlos Alberto (Ricardinho, 68)

Marcadores: Ruben Gouveia (8), Jeferson (68), Kaká (103), João Pedro (106), João Tomás (111)

Disciplina: amarelo a Pedro Alves (27), Ruben Gouveia (67), Marçal (82m), Gaspar (100), Pateiro (100), Ricardinho (110), Ricardo Correia (110), Brito (115); vermelho a Dinei (113)