Foi um Sporting muito eficaz, a aproveitar as ofertas de um FC Porto muito permeável e sem intensidade. 

O leão mereceu, por inteiro, a passagem à quarta eliminatória da Taça de Portugal, terminando com um jejum de sete anos e meio sem vencer no Dragão (o último triunfo tinha sido a 7 de março de 2007, graças a um grande golo do chileno Rodrigo Tello).

O conjunto de Marco Silva fez um belo jogo do ponto de vista coletivo, mas este é um triunfo que tem mérito de duas unidades, sobretudo: Rui Patrício, enorme a defender até um penálti de Jackson, e Nani, o melhor em campo.

Lopetegui voltou a experimentar e voltou a dar-se mal. Será cedo para começar a pôr em causa o lugar do espanhol, mas urge definir um rumo. Uma grande equipa precisa de ter estabilidade no seu onze, o que não quer dizer que tenha que ter sempre o mesmo onze. 

O 1-3 pode ser exagerado, talvez a diferença mínima fosse mais justa, mas a maior eficácia do jogo sportinguista saiu premiada num clássico com bons momentos de futebol e agradável de seguir.

Marco Silva terá sabido gerir melhor que Lopetegui o facto do «clássico» ter sido tão em cima de compromissos da Champions.

Nani entra com vontade

O Sporting entrou com vontade: Nani, aos 40 segundos (!!) atira de longe, ao poste. Esteve perto aquele que seria, por certo, um dos golos mais rápidos da história do Dragão.

Animados, os leões voltaram a criar perigo logo a seguir, com Montero a falhar o disparo em plena área.

O FC Porto apareceu depois do minuto cinco, mas a partir daí parecia ter condições para mandar. Óliver, pela esquerda, e Quintero, pela direita, mostravam iniciativa.

 

Lopetegui, em mais uma experiência, optou por colocar Jackson e Adrian no mesmo onze, os dois na frente. O espanhol mais móvel, mais à procura do jogo. O colombiano mais posicional. Mas ambos alinhados na frente, com retaguarda de apoio de meter respeito: Herrera no miolo, Quintero à direita, Óliver à esquerda. Casemiro, hoje sem a companhia de Rúben no início, a assumir sozinho a posição 6 e claramente atrás dos restantes elementos do meio-campo.

Na defesa, José Ángel teve a sua oportunidade, mas não mostrou ainda suficiente andamento para incomodar Alex Sandro na luta pelo posto de lateral-esquerdo (o brasileiro descansou para o duelo de terça para a Champions).

No eixo, Marcano, um pouco a acusar a pressão, fez o autogolo que abriu o marcador, um pouco em contracorrente, uma vez que a fase da partida até mostrava mais FC Porto.

O 0-1 prometia alterar os dados do jogo, mas os leões não tiveram muito tempo para saborear a vantagem. Quintero, em passe magistral, desmarca Jackson.

Jackson, quem mais?

O «Cha Cha Cha», que quase nem se tinha mostrado até esse momento, assinou um golo ao seu estilo, belo e eficaz.

1-1, clássico «on fire». Nani, inspirado e cheio de vontade de brilhar, recebe a bola em zona frontal, perto da área, mas com pouco espaço. Expedito e certeiro, desenha um golo de belíssimo efeito: 1-2, Sporting de novo na frente.

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Desta vez, o FC Porto tardou em recompor-se. A estratégia não estava a resultar.

Rúben e Tello para o reatamento

Lopetegui mexeu ao intervalo, como se impunha. Casemiro, já amarelado, deu lugar a Rúben Neves e o jovem prodígio portista conseguiu, pelo menos, surgir como «6» mais próximo dos outros elementos do meio-campo, dando maior ligação ao setor intermédio portista.

Tello entrou para a direita, Quintero trocou para a esquerda, para o lugar que era de Óliver, que saiu ao intervalo.

Mas o resto manteve-se: a dupla Jackson/Adrian na frente não estava a resultar em pleno.

Patrício melhor que Jackson

Mesmo assim, o FC Porto quase empatou nos primeiros minutos do segundo tempo: Jackson, que parece estar em fora de jogo no momento em que surge na área, é derrubado na área por Maurício.

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Penálti bem assinalado por Jorge Sousa, amarelo bem mostrado a Maurício.

2-2 em perspetiva… não fora mais uma grande defesa de Patrício. Jackson exagerou na paradinha, não partiu com confiança total. O guarda-redes do Sporting levou a melhor: penálti travado, marcador ainda em 1-2.

O Sporting cresceu com o momento e passou a saber gerir com mais sabedoria a vantagem.

William até esteve muito perto do 1-3, embora se desse para João Mário, que estava isolado em posição frontal, o golo ficasse ainda mais provável.

Oportunidade desperdiçada e FC Porto, obviamente, de novo à procura do empate.

São Patrício

O FC Porto começava a acreditar no 2-2 e o momento esteve na cabeça de Marcano. Mais uma vez, foi São Patrício

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O FC Porto insistia, como lhe competia, chegava perto da baliza de Rui Patrício, mas a partir de um certo ponto, mais com o coração do que com a cabeça.

O Sporting conseguiu manter-se sempre em jogo, nunca recuou demasiado as linhas, construiu lances, sempre que isso foi possível, sem que isso implicasse risco demasiado. 

Não entra Quaresma

O jogo pedia Quaresma, o FC Porto precisava de um «gamechanger». Mas Lopetegui deixou o «Mustang» no banco, queimou a terceira com Brahimi. 

Do lado leonino, Marco Silva, que já trocara Montero pelo maior físico de Slimani, colocou Carrillo no lugar de Capel.

A reta final do clássico chegava com os dados lançados. Com o 1-3, apontado pelo recém-entrado Carrilo, a eliminatória estava definida.

O FC Porto não teve nem alma nem cabeça para esboçar uma reação. Talvez não houvesse tempo, mas não havia, sobretudo, confiança para tal.