Festa azul e vermelha na Figueira. Cheios de fé, as gentes do Marão vieram até à Figueira com a ilusão dessa final inédita no Jamor e foram recompensados. Depois de 120 minutos de sofrimento e de uma reviravolta no prolongamento, a equipa com menores índices de favoritismo, cheia de problemas a nível financeiro e a lutar para não descer à II Divisão B, acabou por vencer.



A Naval, que saiu na frente no marcador, anulando rapidamente a desvantagem trazida do norte, terá sido penalizada por ter esperado demasiado pelo adversário, não assumindo uma postura de ataque (apenas o fez até conseguir o golo) e foi penalizada quando as forças já faltavam de ambos os lados. Foi o quarto jogo da equipa verde e branca sem vencer, num claro momento de descompressão que acontece com o final de época, agora que o objectivo principal, a manutenção, foi atingido.

Os figueirenses deram logo cedo início ao plano explicado na véspera por Augusto Inácio. Era preciso pressionar o D. Chaves e marcar cedo, algo que os jogadores interpretaram na perfeição. Fábio Júnior até lhe deu um toque artístico, marcando com um remate de bicicleta simplesmente perfeito. Era o corolário lógico para um início de jogo em que só os figueirenses procuram o golo, com velocidade e determinação sobretudo por parte do trio da frente.

Anulada a vantagem transmontana, os donos da casa remeteram-se a uma toada mais cautelosa, permitindo ao adversário subir um pouco no terreno mas o atrevimento não chegou para muito. Apenas um remate, de ressaca, de Samson obrigou Inácio a levantar-se que nem uma mola do banco, essencialmente porque a defesa navalista facilitou. A estratégia passava por atrair o adversário por forma a tentar o segundo golo num contra-ataque mas os flavienses não foram na cantiga.

A segunda parte ainda trouxe menos risco de parte a parte, embora a equipa da casa assumisse, naturalmente, maior controlo de jogo e maior assédio à baliza de Rui Rego, mas já sem a chama dos primeiros minutos do encontro. Os donos da casa procuram o golo, sim, mas com cabeça para não serem surpreendidos pelo adversário que, caso marcasse, complicaria sobremaneira as contas da eliminatória.



Boas intenções, má concretização e... um erro fatal

Tulipa procurou reforçar o ataque, esgotando rapidamente as substituições, e o D. Chaves tornou-se mais veloz no último terço, mas faltava discernimento no momento de definir o toque final. Do outro lado, Fábio Júnior continuava a cheirar o segundo golo, mas ora por acção de Rui Rego, ora por culpas próprias, o brasileiro adiou o remate certeiro. E assim chegou o prolongamento.

A equipa de Tulipa começou o tempo extra com pé no acelerador e, num lance na área figueirense, Edu fica a reclamar grande penalidade. Vítor Silva dava outra velocidade e amplitude ao ataque, mas, lá está, faltava o resto. A Naval reforçava-se na frente e insistia, sem resultados práticos, porque os flavienses mostravam-se muito concentrados na defesa.

Mas foi justamente concentração que faltou a Camora, quando decidiu fazer aquele atraso para Peiser. Edu estava à espreita, roubou-lhe a bola, e soltou a alegria nas bancadas junto das gentes transmontanas que bem mereceram pelo apoio inexcedível ao longo de todo o jogo. A reviravolta no marcador, por obra do mesmo jogador, só serviu para lhe reforçar o estatuto de herói.