Miguel Cardoso, treinador do Rio Ave, em declarações na sala de imprensa do Estádio do Rio Ave, após a vitória por 1-0 frente ao Sp. Braga, na quarta eliminatória da Taça de Portugal.

«Confesso que não me apetecia muito comentar as declarações dos outros treinadores. Foi um triunfo justo, tivemos um sentido coletivo fantástico e uma ideia de jogo que é nossa. Encarámos os diferentes momentos de jogo de forma real, concreta e eficaz. Tivemos mais oportunidades para marcar, embora o Sporting de Braga também tenha tido os seus momentos. Trabalhei três anos no Sporting de Braga e nunca vi um plantel com esta variabilidade. Fomos muito competentes. A forma como o grupo abraça o trabalho de forma entusiasmada e entusiasmante… Hoje o compromisso pessoal traduziu-se num conjunto de comportamentos de fidelidade à nossa ideia de jogo. Não há vencedores sem ponta de sorte. A vitória assenta-nos perfeitamente.»

[Geraldes no banco]:

«Não abdiquei de um jogador com critério de passe, os outros que jogaram também têm esse critério. Foi sim, por critérios de congruência para com o grupo. O Francisco tem um comportamento exemplar, como todos os outros. Compete-me gerir aquilo que vão fazendo em treino e em jogo. O Francisco entrou bem e permitiu que controlássemos o jogo, tal como o Barreto, o Novais, o Nuno [Santos] ou o Rúben.»

[Substituição do João Novais]:

«Tínhamos de manter intensidade na pressão na primeira fase. O Sporting de Braga rapidamente passava da linha defensiva para a frente, através de um jogo longo. Ainda assim, havia que manter a pressão alta. O facto de ter refrescado essa posição não significa que o João estivesse bem ou mal. Estou satisfeito por ter tomado essa decisão. É diferente defender uns metros mais à frente. É um comportamento padrão do nosso jogar.»

«O Valdano dizia “Hay que morír sin traicionarse” [Há que morrer sem nos atraiçoarmos]. Quando morrermos, vai ser de acordo com os nossos princípios. Não vamos retirar uma migalha à nossa forma de jogar. Na única vez que demos um pontapé para a frente, o defesa do Boavista cabeceou, isolou um colega e sofremos um golo. Fazemos aquilo em que acreditamos. Ainda assim, temos flexibilidade suficiente para perceber que consistência em demasia é estupidez. Abdicar do nosso comportamento é inquestionável.»

[Ideia de jogo não se traduziu em vitórias frente aos grandes]:

«Houve contextos em que não materializamos as nossas exibições. Hoje, naturalmente, ficámos felizes por vencer, por uma alegria às nossas gentes e às pessoas do clube. Costuma-se dizer que quem não sabe onde vai qualquer vento serve. Vamos manter um trajeto linear, com uma grande atitude competitiva.»