Não foi à paulada que o Fafe impôs a sua justiça (conforme reza a lenda), mas foi com um valente pontapé de João Batista que houve «tomba-gigantes» no primeiro jogo de domingo na Taça de Portugal.
Depois de Alpendorada, Ac. Viseu e União de Leiria, foi o Fafe a fazer cair mais uma equipa da Liga na terceira eliminatória. Venceu o Moreirense - uma das grandes sensações do principal campeonato e atual quinto classificado - num duelo minhoto pouco espetacular (sobretudo na primeira parte), mas que acabou com surpresa e decidido num lance de bola parada ao minuto 68. Num livre em zona frontal, João Batista bateu forte e contou com um desvio em Marcelo para bater André Ferreira.
Até aí, o jogo foi equilibrado, mas com poucas ocasiões claras de golo, quer na primeira parte, quer na primeira metade da segunda. O Moreirense, que teve cinco mudanças no onze inicial face à derrota na Choupana, procurou assumir a bola desde cedo, esteve mais tempo no meio-campo ofensivo, mas foi esbarrando numa defensiva fafense coesa. E, na verdade, raras vezes conseguiu realmente fazer a diferença ante um adversário de dois escalões abaixo.
E foi mesmo o Fafe, que estreou João Gonçalo na baliza e mudou o trio ofensivo após a vitória contra o Amarante, a ter a melhor ocasião até ao descanso. Porém, o livre bem batido por Diogo Castro não teve o desvio desejado por João Oliveira e Théo Fonseca (20m). A resposta efetiva do Moreirense surgiu na melhor jogada coletiva até então, mas Benny rematou por cima (33m).
Numa primeira parte chuvosa, com várias paragens devido a assistências e faltas, Vasco Botelho da Costa não quis ter dissabores e tirou o já amarelado Benny ao minuto 40, pouco depois de ter feito uma falta e arriscado novo cartão.
Na segunda parte, o Moreirense voltou a tentar impor-se, mas o Fafe dificultou a vida ao vizinho minhoto e Vasco Botelho da Costa, sem ver grandes melhorias, lançou Landerson e Stjepanovic. Porém, não houve grande evolução. E foi o Fafe, com o 0-0 a manter-se, a acreditar mais que era possível e, já com alterações feitas por Mário Ferreira, o recém-entrado Ká Semedo pôs à prova André Ferreira e deixou um aviso para o que João Batista faria três minutos depois.
O Moreirense, até então, mesmo com o 0-0, estava longe do que já mostrou esta época, parecia uma equipa a aceitar o desenrolar dos acontecimentos e paciente na dificuldade de chegar ao golo. O que acreditaria que ia chegar e não chegou. Depois do 1-0, perdeu qualquer tranquilidade, discernimento e, face ao risco de tentar chegar ao 1-1, deixou mais espaços para o Fafe, que acabou o jogo em crescendo e até cheirou o 2-0. Rodrigo Alonso, mesmo em cima do quarto e último minuto de compensação, quase levou o jogo para prolongamento, mas imperou a justiça fafense. De uma equipa que fez por ganhar e acabou mesmo por fazer tombar a da Liga.
Segue-se uma outra: o Arouca. Haverá justiça de novo?
FIGURA: João Vigário
O lateral-esquerdo - que já andou pela Liga no Vitória, Estoril, Nacional, Tondela e P. Ferreira - fez um jogo competente, quer a nível defensivo e ofensivo. Teve cortes importantes em zonas mais recuadas que impediram o Moreirense de atacar a baliza fafense e proporcionou, quer em combinações com colegas, quer em investidas individuais, várias saídas do Fafe para o ataque. Incansável de início ao fim do jogo, a fazer também valer a sua experiência.
MOMENTO: livre de João Batista dá vitória ao Fafe (68’)
Depois de uma falta de Stjepanovic sobre Carlos Daniel, João Batista assumiu a marcação do livre em zona frontal, teve pontaria e potência e acabou por ser feliz, com um desvio de bola em Marcelo, antes de bater André Ferreira para o 1-0 com que terminou o jogo.
POSITIVO: moldura humana no duelo minhoto... mesmo com muita chuva
O Fafe-Moreirense levou mais de duas mil pessoas (2.287), pouco depois da hora de almoço, ao Estádio Municipal, para o duelo minhoto. Mesmo com mau tempo e muita chuva que se fez sentir em grande parte do jogo (sobretudo com os adeptos do Moreirense e alguns do Fafe na bancada descoberta), ninguém arredou pé face à indecisão no marcador até final.
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Jogo no Estádio Municipal de Fafe, Fafe.
Árbitro: Ricardo Baixinho.
Espetadores: 2.287.
FAFE: João Gonçalo; Diogo Castro, João Batista, Leandro Teixeira, João Vigário; João Amorim (Gonçalo Pinto, 62’), Filipe Cardoso; Tiago Veiga (João Santos, 62’), João Oliveira (Tomás Teixeira, 90+3’), Carlos Daniel (Picas, 74’); Théo Fonseca (Ká Semedo, 62’). Treinador: Mário Ferreira.
MOREIRENSE: André Ferreira; Dinis Pinto, Marcelo, Maracás, Álvaro Martínez (Francisco Domingues, 69’); Alan (Gower, 69’), Afonso Assis (Stjepanovic, 57’), Benny (Rodrigo Alonso, 41’); Diogo Travassos, Yan Maranhão, Cédric Teguia (Landerson, 57’). Treinador: Vasco Botelho da Costa.
Disciplina – amarelos: Benny (19’); Théo Fonseca (41’); João Santos (65’); Stjepanovic (67’); Landerson (90+1’).
Golos: João Batista (68’).