Injustiça. A palavra assenta como uma luva a esta crónica. O Sp. Braga, honra lhe seja feita, em nada foi inferior ao PSG. Jogou mais, teve mais bola e mais oportunidades de golo. Mas de que servem tantos elogios, depois de castigo tão pesado? Pouco, nada. Nas mentes minhotas, apenas há lugar às lágrimas, ao trincar de lábios e ao revisitar do momento decisivo: má abordagem de Eduardo a um cruzamento e golo do PSG. A baliza da selecção faz mal a qualquer um.

Dois trezes a sugerir o azar

Baterias recarregadas, Jorge Jesus apostou na equipa do costume. A maior surpresa terá sido a colocação de André Leone de início, com Frechaut a ficar desta vez no banco de suplentes. A competitividade, tantas vezes demonstrada esta temporada, manteve-se inabalável, tal como o losango do meio-campo.

13 minutos, azar para o Sp. Braga: pontapé de Paulo César, palmada de Landreau e bola com estrondo na trave do PSG! Os minhotos, diante da pressão, encolhiam os ombros e lançavam-se em busca de um lugar nunca antes visitado.

Os franceses acusavam o toque. Defendiam muito, com três torres inexpugnáveis (Traore, Sakho e Camara) e entregavam o ataque à velocidade de Pancrate e Luyindula. Era pouco.

Durante grande parte da contenda, pressentiu-se o golo do Sp. Braga. Que nunca chegaria a acontecer.

Chegaria, isso sim, para o PSG. Hoarau, 13 minutos em campo e um golo de cabeça. Uma vénia ao esoterismo e à simbologia.

Uma baliza bem entregue

O único sinal de perigo do PSG, antes do malfadado tento de Hoarau, surgiu por Chantôme na marcação de um livre directo: bola na trave de Eduardo. Entre esse momento e o único golo da eliminatória, ficaram muitos e bons lances desenhados pelo Sp. Braga.

Arrancadas, muitas, de João Pereira; triangulações interessantes entre Luís Aguiar, Paulo César e Renteria; cruzamentos insistentes de Alan e César Peixoto; inteligência vertical de Vandinho. Nada feito. Nada bloqueou a defesa e a baliza do PSG, muito bem entregue a Mickael Landreau.

Não há, enfim, volta a dar. O que poderia ter feito mais o Sp. Braga? Insistido mais num futebol directo, em detrimento do passe curto e objectivo? Talvez, talvez Orlando Sá tivesse justificado mais minutos. Agora, cada palavra dói, cada argumento mói a postura irrepreensível de uma equipa que merecia a presença numa dimensão mais elevada desta Taça UEFA.

O objectivo foi falhado mas fica a prova sustentada do crescimento deste Sp. Braga. A manter este desejo ardente de ser tão grande como os maiores, os quartos-de-final da Taça UEFA serão uma realidade mais ano menos ano.