Rotação quase total da equipa e certamente com a visita ao Dragão no pensamento, os leões entraram passivos e apenas o virtuosismo de Luis Guilherme tratou de dar outros contornos ao resultado.
O segundo tempo foi mais mexido, com um autogolo a trazer conforto às hostes leoninas e um penálti a soltar o AVS das amarras. Houve tempo para o regresso mais aguardado dos últimos tempos por Alvalade, ou seja, o de Nuno Santos e dois valentes baldes de água fria que levaram a decisão para o prolongamento. Aí valeu a inspiração de Geny, um herói provável para as alturas difíceis.
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Alvalade recebeu o jogo decisivo para se confirmar (ou não) um «Clássico» nas meias-finais da Taça de Portugal, sendo que Sporting e AVS lutavam pela última vaga entre as quatro melhores equipas desta edição da prova.
O mau tempo e o horário pouco convidativo afastaram grande parte dos adeptos e as bancadas despidas trouxeram menos cor ao espetáculo dentro das quatro linhas. Aí, Rui Borges promoveu uma autêntica revolução face ao onze que alinhou frente ao Nacional e o jogo começou morno, apesar do fresquinho que se fazia sentir.
Um dos destaques dos primeiros minutos foi Luis Guilherme, novamente encostado ao corredor direito, enquanto Trincão atuou pelo lado esquerdo. Ora, com Geny Catamo no banco de suplentes, o avançado brasileiro tratou de dar valentes dores de cabeça aos defesas do AVS, que nada conseguiram fazer para evitar males maiores.
Esse mal maior tem um nome: golo. Num movimento de fora para dentro, fez o que quis do adversário e atirou em arco para o fundo da baliza, estreando-se assim a marcar com a camisola dos leões. Este golo deu maior conforto ao Sporting, que aproveitou para gerir com bola uma vantagem curta, mas suficiente perante as dificuldades do adversário em sair com perigo do seu meio-campo.
Desta forma, a toada do jogo manteve-se e as equipas recolheram aos balneários com o 1-0 no marcador. Para o segundo tempo, nenhuma alteração de ambos os treinadores e a mesma toada, um Sporting controlador e um AVS expectante, com todos os elementos no próprio meio-campo.
Bastou uma combinação no corredor esquerdo para a muralha de Vila das Aves desmoronar. Mangas ganhou espaço, cruzou para o interior da área e uma infelicidade de Paulo Vítor fez com que a bola entrasse na baliza de Simão Bertelli, depois de Suárez tentar (novamente) um golo de calcanhar. Parece ter-lhe tomado o gosto…
A magia do futebol é bonita de se ver...
Só que o futebol não é linear e por vezes o que parece certo acaba por não o ser. Quando tudo parecia encaminhar-se para uma vitória tranquila dos leões, um penálti mudou tudo. Hjulmand tocou com o braço na bola e deu continuidade a uma semana certamente difícil de gerir. Da marca dos onze metros, Pedro Lima atirou para o fundo da baliza e devolveu a esperança ao conjunto de Vila das Aves.
O momento da noite, esse ficou reservado para o minuto 77. Depois do primeiro aplauso quando saltou para os exercícios de aquecimento, Nuno Santos regressou aos grandes palcos e a plateia de Alvalade recebeu-o com uma enorme ovação. Desde outubro de 2024 que o ala de 30 anos não atuava pela equipa principal dos leões.
Mas voltando ao jogo e ao espetáculo nas quatro linhas, o golpe de teatro tardou, mas chegou. Vagiannidis cometeu falta dentro da área, o árbitro apontou para a marca dos onze metros e Nenê converteu com sucesso a grande penalidade, tornando-se o segundo mais velho de sempre a marcar na Taça de Portugal.
Nota para um lance arrepiante a envolver Antoinie Baroan e Luis Suárez. Na tentativa de rematar a bola, o avançado colombiano acertou em cheio no adversário e este teve de sair de maca, após largos minutos a ser assistido dentro de campo. Certo é que mesmo a jogar com menos um elemento (até poder fazer a alteração no prolongamento), o AVS teve coração para segurar o empate e forçar 30 minutos de futebol extra em Alvalade.
As alterações trouxeram menor criatividade ao Sporting no centro do campo, mas foi daí que quase saiu o golo de Suárez. O avançado colocou a bola no fundo da baliza, mas estava em posição irregular no momento do passe. Pode-se dizer que foi muita posse e pouca criatividade com bola nos 30 minutos adicionais.
Teve de ser por isso um dos mais prováveis heróis a decidir a eliminatória. Geny Catamo fez o que melhor sabe e atirou com um estrondo para o fundo da baliza, confirmando a vitória (muito) suada dos leões. Agora sim, venha daí mais um «Clássico», ou neste caso três.