Quem o vê chegar aos treinos da Académica quase não lhe ouve uma palavra, a não ser que resolva entoar mais alto alguma passagem do reggae que o acompanha para todo o lado nos auscultadores. Há algo, no entanto, que o distingue de imediato: aquele sorriso de orelha a orelha e a boa-disposição natural de quem está bem com a vida.

No relvado, leva a profissão muito a sério. É comum ver algum colega a afrouxar o ritmo, quando estão em causa, por exemplo, exercícios de força mas com Tiero acontece o contrário: cumpre o que lhe é pedido e ainda faz mais umas horas extraordinários de flexões. O médio ganês é, literalmente, uma força da natureza.

Fora das quatro linhas, leva uma vida pacata. Adora a filha, a pequena Princessa, que já figura entre os seus vídeos no Youtube, ao som de Beyoncé. É anti-herói por natureza, foge dos holofotes e praticamente não se lhe conhecem entrevistas desde que chegou a Portugal.

Mais importante do que Essien

Estávamos no Verão de 2007 quando chegou a Coimbra, via Figueira da Foz, como tantas outras transferências. A desconfiança foi imediata. Até então, o seu nome trazia à memória de imediato o diferendo que tivera com o V. Guimarães, no ano anterior, e que lhe valeu uma época de inactividade.

Tiero havia chegado à Naval em Janeiro desse ano, trazido por Mariano Barreto, que o treinara na selecção olímpica do Gana, em 2004, e nunca mais o perdera de vista. Em certo círculos, o técnico afirmava que o agora jogador da Académica tinha sido «mais importante» na sua estratégia do que o próprio Essien, outra pérola orientada pelo actual treinador do Kuban Krasnodar da Rússia.

A ideia de Barreto era tentar inscrever o jogador ainda no mercado de Inverno, já que uma interpretação da suspensão aplicada pela FIFA levava a crer que poderia estar disponível a partir de Fevereiro. Os preceitos não se confirmaram e o ganês, apesar de se treinar com o plantel figueirense, não pôde jogar.

Com a saída do treinador, rendido uma vez mais por Fernando Mira, Tiero perdeu margem de manobra na Naval mas o clube ainda tentou oferecer-lhe contrato. Dizem que pediu uma soma incomportável para os cofres navalistas e isso também levantou interrogações aos sócios da Briosa, receosos de mais uma contratação dispendiosa sem garantias de sucesso.

Um ano e meio depois, quem franziu o sobrolho já deve ter substituído a expressão por um sorriso rasgado. E nem era preciso ter marcado aquele golo que valeu a terceira vitória (segunda consecutiva) da Académica no terreno do Benfica. A folha de serviço de Tiero esta época não deixa dúvidas: 20 jogos, 15 deles a titular, e apenas um remate certeiro, ainda fresco.

Primeiro vitória fora da época para a Liga

Depois da vitória na Luz, o primeiro triunfo fora de portas esta época na Liga, Domingos Paciência concedeu dois dias de folga ao plantel. A preparação para a recepção ao F.C. Porto, no próximo domingo, começa nesta terça-feira, mas a semana não se afigura fácil.

Luiz Nunes, Hélder Cabral e Sougou estão castigados, enquanto Pedro Costa e Júlio César estão em dúvida para o embate com os campeões nacionais.