Sem encher o olho e com alterações profundas nas duas equipas, o Rio Ave até entrou melhor e mais dinâmico. Com alguma intensidade, a formação da casa estabilizou o seu jogo, ocupou bem os espaços no terreno e demonstrou algumas rotinas nas alas. Além disso, a equipa explorou os flancos e cresceu no relvado.

Ainda em relação a esta matéria, convinha não perder de vista os movimentos de Kelvin e Mendes. Mais objectivos, os dois jogadores fizeram uma exibição positiva. Andaram na esquerda, na direita, flectiram para o meio, enfim, tentaram desequilibrar a bem posicionada defesa do Gil Vicente.

Braga e Tarantini desdobraram-se bem no auxílio aos companheiros e apoiaram a equipa para um ataque mais continuado. João Tomás ameaçou num par de oportunidades. O avançado chegou mesmo a introduzir a bola na baliza do Gil, mas o lance fora anulado por fora-de-jogo; pouco depois Jorge Batista negou-lhe o golo.

Com uma exibição trémula e a acusar limitações, o Gil Vicente defendia e criava pouco perigo no ataque. A lentidão era confrangedora. O treinador apresentou uma equipa para resistir e, no essencial, deixar a porta do apuramento entreaberta. Parecia curto, claro.

Se Paulo Alves estaria satisfeito com o acerto defensivo na zona central, subtraindo a mão de Mauro dentro da área, estava menos animado, porém, com a falta de rapidez e esclarecimento no ataque. Ao fim de 45 minutos, apenas um cabeceamento perigoso de Tó Barbosa.

A importância dos golos

Na segunda parte, o Rio Ave começou a avançar cada vez mais rápido para o ataque. O golo dos locais resulta de uma mão de Mauro em zona crítica, após remate de Braga. Duarte Gomes sancionou grande penalidade e João Tomás converteu o castigo com força e colocação.

Mas depois do 1-0 e do que de bom já fez, o Rio Ave baixou um pouco de rendimento, mesmo perante a debilitada e hesitante exibição do Gil Vicente, que não produzia grande perigo. A linha da frente era o ponto cego da equipa. Não funcionava e o treinador lançou Laionel e Richard em campo.

A equipa continuou a praticar um futebol esforçado, mas conseguiu o empate através de uma bola parada: canto de Rodrigo Galo e Yero a subir mais alto para bater Paulo Santos. Aquele «corpo estranho» dentro da equipa revelou-se nas alturas. Um momento que resultou em termos de facturação, ainda que a equipa tenha jogado com pouca dimensão. Faltou mais capacidade nos últimos trinta metros e melhor aptidão nos remates.

Na soma de todos os capítulos, os homens de Carlos Brito criaram mais perigo, mas desperdiçaram as oportunidades. O Gil Vicente reagiu à desvantagem e conseguiu o empate. Suficiente para manter uma posição de liderança no grupo. Tudo será decidido na visita ao Sporting.

FICHA

Jogo no Estádio dos Arcos

Árbitro: Duarte Gomes (AF Lisboa)

RIO AVE: Paulo Santos; Zé Gomes, Jeferson, Éder e André Dias; Bruno China, Braga (Vítor Gomes, 75) e Tarantini (Pateiro, 61); Kelvin (Saulo, 65), Mendes e João Tomás

Suplentes não utilizados: Rafa, Gaspar, Jorginho e Yazalde

Treinador: Carlos Brito

GIL VICENTE: Jorge Batista, Paulo Arantes (Laionel, 45), Sandro, Paulo Lima e João Pedro; Luís Manuel, Mauro e Éder; Rodrigo Galo (Guilherme, 83), Tó Barbosa (Richard, 61) e Yero

Ao intervalo: 0-0

Marcadores: 1-0, por João Tomás (60, gp); 1-1, por Yero (70)

Disciplina: cartão amarelo a Paulo Arantes (31), Mauro (59) e Zé Gomes (90)

Assistência: cerca de 1000 espectadores