Num domingo de conferência entre beirões e insulares no distrito de Viseu, o Tondela foi incapaz de replicar a narrativa do vizinho Académico, que venceu o Marítimo na disputa pelo topo da II Liga (3-1). Ora, na 24.ª jornada da Liga, Tondela e Santa Clara empataram a dois golos.

Enquanto Bacci operou duas trocas, com Hugo Félix e Juanse a ocuparem os lugares de Cícero Alves (castigado) e Aïko, Petit apostou em Henrique Silva, Djé Tavares e Luís Fernando, em detrimento de Frederico Venâncio (castigado), Klismahn e de Gonçalo Paciência.

Recorde a história desta partida.

Num arranque pleno de erros recuados, o Santa Clara ofereceu um golo a Pedro Maranhão – evitado por Gabriel Batista – e um penálti, em novo momento protagonizado pelo extremo brasileiro. Desta feita, o avançado apostou na matreirice e esperou o contacto de Sidney Lima, pelas costas.

No momento de agarrar a vantagem, o capitão Bebeto descartou Gabriel Batista e repetiu o desfecho conseguido na Amadora há uma semana. Estavam decorridos 10 minutos quando o brasileiro fez o segundo golo na época.

Na reação, aos 15 minutos, logo na primeira oportunidade, Gabriel Silva – por norma “guloso” – fez um lançamento à direita, aproveitou um alívio curto e desferiu um arco vistoso fora da área. Ainda que tenha voado, o gigante Bernardo Fontes nada pôde fazer.

Foi o sétimo golo na temporada para o extremo, o terceiro na Liga.

Até à pausa, o ascendente pertenceu ao Tondela, ainda que o Santa Clara rematasse de qualquer ângulo e fosse pragmático no contra-ataque. Mas o espetáculo deteriorou-se com a queda abrupta do ritmo.

Conceição agita, Serginho põe travão

Foi preciso esperar até à hora de jogo para animar as bancadas. Entrado para o lugar de Hugo Félix – e em estreia no Tondela em 2026 – Rony Lopes assumiu a posse e apostou na profundidade de Rodrigo Conceição. Da esquerda para o meio, o ala penetrou na área e desferiu um arco indefensável. Seguiram-se lágrimas, morder de língua e bater no símbolo, espelho da ascendência, enquanto se aguarda pelo herdeiro.

Foi a estreia de Conceição a marcar pelo Tondela, emblema pelo qual leva 10 jogos.

Entre trocas, Serginho, Gonçalo Paciência e Djé viram as investidas travadas, até que o médio – o farol dos açorianos – inventou a jogada decisiva. Pela esquerda, Serginho descartou Rodrigo Conceição e foi puxado por Medina. Estavam decorridos 88 minutos quando o criativo fez o quarto golo na época – o quarto de penálti.

Assim, Tondela (16.º) e Santa Clara (17.º) atingem os 19 pontos e ficam a um ponto do Rio Ave (15.º), a primeira equipa em zona segura. Na próxima jornada, no domingo (20h30), o Santa Clara recebe o Vitória de Guimarães (9.º).

Por sua vez, o Tondela recebe o Rio Ave a 9 de março (segunda-feira, 20h15). A turma de Bacci vive o melhor momento da época, com cinco jogos consecutivos a pontuar – vitória na Amadora, empates contra Benfica, Estoril, Alverca e Santa Clara.

A Figura: Serginho

Num jogo de mais a menos de ambas as equipas, Serginho foi o mais esclarecido no miolo durante todo o encontro. Ora pelo meio, ora pela esquerda, o criativo de 26 anos serve de elo à turma de Petit e está na maioria das investidas, evitando desequilíbrios. Se na primeira parte ajudou à contenção e contra-ataque, na etapa complementar brilhou na pressão adiantada, criando o lance que culminou no penálti que viria a converter. Um oásis de associativismo e proatividade entre os titulares do Santa Clara.

O Momento: apito para o intervalo

Após um arranque promissor e intenso, Bacci e Petit meteram uma mudança abaixo. Mas a sensação foi de que os protagonistas abandonaram o relvado. O ritmo caiu a pique, os duelos ficaram a meio-campo e a vontade de avançar evaporou-se. O medo manietou Santa Clara e Tondela, mas a ansiedade foi sensação constante. Espelho de dois emblemas aflitos na tabela, com trunfos para bem melhor. Sobretudo o Tondela. Faltou discernimento para conservar a vantagem.

Negativo: erros recuados do Santa Clara

Petit terá muito a ponderar no regresso aos Açores, sobretudo no que diz respeito à organização defensiva e à construção recuada. Numa exibição terrível nesse âmbito, o Tondela teve duas ofertas para inaugurar o marcador antes dos 10 minutos – Bebeto capitalizou o segundo passe recuado errado. A linha defensiva do Santa Clara nunca esteve tranquila e só o guardião Gabriel Batista evitou o 3-2 na última jogada.