«O Toni veio da Guiné Bissau e estava a jogar no Damaiense. Assinou pelo Real Massamá dias antes de fazer 14 anos. Em Janeiro do ano seguinte, foi para o Benfica. É um médio esquerdino, com enorme poderio físico e visão de jogo. O talento está lá, mas é cedo para dizer se vai explodir ou não», resume Luís Neves, responsável das camadas jovens do Real, ao Maisfutebol.

O Benfica resgatou o jovem talento em Janeiro de 2008. Toni esteve nos iniciados do clube da Luz e preparava-se para o primeiro ano de juvenil, quando surgiu o interesse de emblemas britânicos. «O Chelsea chegou a negociar o Toni, mas depois ele foi para o Liverpool. Fizemos um acordo com o Benfica e iremos receber 10 por cento de todos os rendimentos futuros relativos ao Toni. Para já, ainda não recebemos nada», explica Luís Neves.

O Liverpool integrou o jovem médio nos seus quadros, antes de Toni assinar contrato de formação com o Benfica. A transferência levantou alguma polémica, mas o clube inglês acabou por negociar um pagamento por objectivos. Aos 16 anos, Toni procura o seu espaço em Inglaterra. «Temos esperança nele. Também apostámos no Nani e acredito que o Nani será dos melhores do Mundo em dois anos. Só tenho pena de termos ficado com apenas 5 por cento de uma futura transferência», conclui o dirigente.

Magia dos talentos africanos

Nascido na Guiné-Bissau, Toni chegou a Portugal para singrar no futebol e já integra a selecção lusa de sub-17. África continua a fornecer talentos precoces e os gigantes europeus estão atentos.

O Chelsea perdeu este médio esquerdino mas tem Mesca e Kaby, dois jovens com raízes africanas e internacionais por Portugal. «Há sempre alguma desconfiança em relação aos jovens que vêm de África, relacionadas com a sua idade, mas como provar isso? Quando à sua qualidade, fica dependente da evolução a médio prazo», lembra João Couto, antigo treinador de juvenis de Benfica e Sporting.

«No caso do Toni, acabei por estar pouco tempo com ele. Ele vinha para os juvenis, fez alguns treinos e jogos de pré-época, mas era a altura em que teria de assinar contrato de formação e acabou por desaparecer, saiu para o Liverpool. Tudo levava a crer que teria um bom futuro. É um médio ofensivo, que joga com o pé esquerdo, se bem que o direito não é cego», recorda o técnico.

As incertezas da juventude

João Couto apresenta um currículo louvável. Pelas suas mãos, passaram grandes craques, outros que se perderam ao atingir a idade adulta. No final da última época, o Benfica não renovou o seu contrato. O professor dedica-se à sua profissão, enquanto espera pelo regresso ao banco de suplentes.

«Fui sempre bem tratado no Benfica. São opções, se calhar por eu ser sportinguista, não sei. Sempre fui visto dessa forma. Estive no Sporting, sou sportinguista, mas agora também não teria grandes hipóteses lá, uma vez que estive no Benfica. Enfim, resta esperar», reconhece o técnico.

Enquanto espera, recorda os talentos que surgiram no seu caminho. «O melhor, já explodiu: Cristiano Ronaldo. Também o Hugo Viana, o Carlos Martins, agora o Daniel Carriço. O Varela surgiu mais tarde. Outros, como o José Semedo, o Edgar Marcelino, o Paulo Sérgio ou o Fábio Paim, não atingiram o mesmo patamar. No futuro do Benfica, posso destacar o Nélson Oliveira, por exemplo. Resta saber como todos os jovens se desenvolvem, é muito incerto», remata João Couto, em conversa com o Maisfutebol.