Luís Tralhão, treinador do Torreense, na flash interview da Sport TV que se seguiu à derrota com o Casa Pia no play-off de acesso à Liga:

Semana de emoções fortes não terminou da melhor forma

«Não, de certeza absoluta. Tínhamos o objetivo e a ilusão de poder subir de divisão. Esse era o nosso objetivo prioritário. Hoje não fomos suficientemente competentes para levar de vencida a equipa do Casa Pia, apesar de achar que fomos melhores do que eles. Houve um período na primeira parte em que o Casa Pia esteve melhor e teve algumas situações de perigo, mas no cômputo geral do jogo fomos melhores. Sem querer parecer presunçoso nem ter um discurso de mau perdedor, no cômputo geral dos dois jogos tivemos melhores momentos do que o Casa Pia. Hoje, o futebol não foi justo connosco.»

Bolas nos ferros

«É a diferença de a bola entrar ou não entrar, de ter oito dias de descanso ou quatro. Não sou uma pessoa de desculpas, mas é inevitável não falar sobre isso. Teve um impacto direto. Hoje corremos muito, deu para ver que fomos buscar energias onde não as tínhamos. O Torreense fez três jogos em oito dias com equipas da I Liga. Acho que as pessoas têm de pensar um bocadinho nisto. Decide-se uma época, uma subida de divisão, neste curto espaço de tempo. Se calhar é desculpa.»

«Acho que é preciso melhorar as instâncias que organizam as competições, para pensarem nestas situações e, no momento em que acontecem, serem mais sensatos. Qual seria a diferença se tivéssemos jogado na sexta-feira ou no sábado? Não entendo.»

Mexidas na equipa na segunda parte

«Queria dar mais energia no meio e alguma mobilidade no espaço entre linhas. O Costinha, apesar de estar bem colocado, tinha de se deslocar um bocadinho mais nos corredores. Mas ele fez o melhor que podia, o jogo foi complicado. Na segunda parte, arriscámos tudo o que tínhamos para arriscar. Acabámos com muitos jogadores entre linhas, nos corredores laterais. Este jogo define-se porque não marcámos primeiro. Entrámos muito bem, tivemos duas excelentes oportunidades e, se tivéssemos marcado primeiro, duvido de que o Casa Pia nos desse a volta.»

Elogios aos jogadores

«É um grupo fantástico, espetacular. Tenho muita sorte por ter trabalhado com eles nestes meses. Fizemos coisas espetaculares. Somos os vencedores da Taça de Portugal, fizemos uma segunda volta brutal na II Liga, chegámos ao play-off quando muitas pessoas não achavam que o conseguíssemos. Fica a sensação de que poderíamos ter lá chegado.»

Vai continuar no Torreense?

«Não sei, vamos ver. Tudo indica que sim. As semanas foram tão intensas, tão duras e exigentes, que não tive muito tempo para pensar nisso. Sei que há vontade dos dois lados, acho que vai ser fácil continuar, mas não está fechado.»