Aí sim, ficou provado, sem margens para quaisquer dúvidas, que os feitos importantes não são alcançados através de uma atitude temerosa e submissa. Compreendem-se as diferenças de ritmo, aceita-se a melhor qualidade individual de alguns jogadores do adversário (como Berbatov), mas não se entende a postura inssossa e desconcentrada dos arsenalistas no primeiro tempo. Acreditemos que a última imagem é aquela que fica. Se for mesmo assim, os mais de 30 mil ingleses que assistiram ao jogo em White Hart Lane terão ficado impressionados com o desempenho do desconhecido Sp. Braga.

Berbatov anti-injustiças

Uma forte pressão do Tottenham nos 20 minutos iniciais, fez temer o pior. Apesar de ter reforçado o meio-campo com três homens de combate (Madrid, Frechaut e Andrade) nas costas de João Pinto, Jorge Costa viu a sua equipa ser verdadeiramente sufocada por uma equipa de ritmos e mecanismos de qualidade superior. Berbatov, por duas vezes, Robbie Keane e Lee fizeram ameaças sérias, mas contra todas as previsões seria o Sp. Braga a marcar.

Na primeira vez que a bola se acercou da baliza à guarda de Cerny, após um livre de Andrade, Huddlestone tocou ao de leve no esférico e este entrou ao ângulo superior esquerdo. Sem nada ter feito para isso, o Sp. Braga via-se a ganhar, mas a injustiça duraria pouco tempo. Dimitar Berbatov voltou a mostrar toda a sua valia e até ao intervalo fez dois golos. O segundo, depois de uma inacreditável desatenção de Nem, que substituíra o lesionado Rodríguez. Terminava o primeiro tempo, com o Sp. Braga a deixar uma imagem de confrangedora debilidade no relvado de White Hart Lane.

Andrade faz sonhar, antes de Berbatov se tornar um pesadelo

A etapa complementar trouxe boas sensações à equipa portuguesa. Audaciosa, mais confiante, capaz de fazer circulação de bola, ganhou de imediato quatro cantos e colocou os ingleses em sentido. Era a altura de aparecer Andrade na marcação de alguns lances de bola parada. Num deles, aos 60 minutos, empatou a partida. Uma «bomba» que estilhaçou na cara de Radek Cerny. Faltava um golo para o Sp. Braga garantir o direito de ir ao prolongamento.

Mas já não houve forças para tal. Jorge Costa apostou na velocidade de Maciel e Césinha - nos lugares dos desinspirados Zé Carlos e João Pinto -, mas seria novamente Berbatov o protagonista. Sem pedir licença a ninguém, o búlgaro encontrou espaços onde eles não existiam e deixou Malbranque isolado perante Paulo Santos. 3-2 e a confirmação do adeus bracarense à Europa do futebol. Com muito aprendido e ainda muito por aprender.

A arbitragem do senhor Duhamel foi globalmente correcta, mas deixou passar em claro uma agressão de Chimbonda a Luís Filipe. No entanto, nessa altura, a eliminatória já estava resolvida.