Melgarejo acaba a época de fora das opções, depois de ter sido durante muito tempo aposta para lateral-esquerdo. A aparente desistência do jovem paraguaio (e de Ola John, que também ficou na bancada?) abrem brechas na confiança dos encarnados em que teriam encontrado o seu lateral-esquerdo. André Almeida foi mais uma vez aposta, como tem acontecido nos últimos tempos. Garay voltou e Jesus teve em campo o seu onze de gala. Do lado do Vitória de Guimarães, Alex ficou-se pelo banco e tudo o resto era o esperado. Um onze interessante, disposto para explorar a visão de Tiago Rodrigues, a velocidade de Ricardo e Soudani, e a capacidade finalizadora, sobretudo pelo ar, de Baldé.

O encontro começou a um ritmo baixo, com os dois conjuntos a não quererem ser surpreendidos ainda a frio. Aos poucos, foi-se aproximando de Douglas, com o guarda-redes a ter de responder ao cabeceamento de Garay (11) e a um remate pouco enérgico de Cardozo (17)

Um minuto incrível

Teria voltado a sorte? Cinco-para-dois no ataque, Tiago Rodrigues a abrir para Addy na área e sobre a esquerda e o lateral a assustar-se com a saída de Artur, atirando às malhas laterais. Na resposta, Kanu a aliviar a bola da sua área contra Gaitán, com esta, magoada, a entrar nas redes, traindo Douglas. Ao minuto 30, segundos depois de meia-equipa do Vitória levar as mãos à cabeça, o encontro confirmava o ascendente encarnado, no qual só destoara a maior oportunidade de golo, aquele desperdício inconcebível no contra-ataque minhoto.

A melhor jogada de uma primeira parte morna chegara pouco antes do duplo apito de Jorge Sousa. O calcanhar de Salvio abriu o espaço para Maxi cruzar, e Lima, que tantas vezes remata de primeira com acerta, pensou de mais o tiro, que passou por cima.

Ao intervalo, a partida estava marcada por esses dois momentos, em jeito de crime e castigo, e pelos dois amarelos vistos por Matic e Enzo Pérez, que fragilizavam um setor que se mostrava permissivo às arrancadas dos médios vitorianos. Uma situação parecida à vivida no Dragão, na Liga, que obrigara Jesus a meter Roderick (ficou em casa) com consequências não muito felizes. O adversário e a competição eram outras, bem como o resultado.

No regresso, duas jogadas rápidas, uma para cada lado, pareciam dar o tom para uma segunda parte mais veloz. Aos 49, de novo Gaitán a fugir a Kanu. O cruzamento é bastante bom, mas El Adoua estica-se e, no limite do risco, evita que Cardozo cabeceie para a baliza. Dois minutos depois, Ricardo troca as voltas a André Almeida e cruza rasteiro para o primeiro poste. Baldé não consegue desviar e Artur segura. No entanto, logo a seguir, os encarnados quiseram segurar as rédeas da partida.

Jesus acreditou cedo de mais?

Rui Vitória ainda arriscou um pouco. Fez entrar Marco Matias para o lugar de Kanu, recuando Ricardo para a defesa (64), e depois com Crivellaro a substituir Olímpio (77). Jesus apostou no plano B (69), Urreta por Cardozo, com Gaitán a apoiar Lima no meio.

Depois vieram os acidentes do primeiro parágrafo, provando que um raio pode mesmo cair três vezes no mesmo sítio. Os tais acidentes que deram os golos de Soudani e Ricardo, e que os minhotos aproveitaram e seguraram até ao fim. Um bom prémio para o trabalho de Rui Vitória e da sua jovem equipa. Para o Benfica, um divã. E que venha depressa.