O Benfica, repete-se, caiu com estrondo na Trofa. Onde curiosamente nunca nenhum grande tinha caído. Pela simples razão que nunca nenhum grande tinha jogado na Trofa. Foi por isso uma estreia de sonho do Trofense.

Que era até esta noite o lanterna-vermelha da Liga. Deixou de o ser no final de um jogo em que vulgarizou o Benfica. É verdade que a equipa de Quique Flores teve um papel fulcral nisso, mas não se tire o mérito a quem o merece.

A formação de Tulipa entrou mal no jogo, passou toda a primeira parte a fazer um jogo demasiado físico, mas marcou pouco antes do intervalo. Moralizada pela vantagem no marcador, então sim, partiu para uma segunda parte muito boa.

O trajecto do Trofense foi inversamente proporcional ao do Benfica. Os encarnados entraram bem no jogo. Logo aos 28 segundos ficaram perto de marcar por Suazo e dispuseram de três cantos no primeiro minuto e meio.

Com o tempo porém o Trofense foi acertando nas marcações e falhando menos. Somou-lhe uma agressividade nos limites do razoável, usou e abusou de um futebol longo que atemorizou a defesa benfiquista e com isso equilibrou o jogo.

Foi nessa altura aliás que começou o descalabro do Benfica. Os encarnados deixaram-se enredar no futebol físico, demasiado faltoso e pouco bonito do Trofense. O jogo passou a ser um monte de equívocos, com constantes paragens e nenhum futebol.

A equipa de Quique Flores abdicou então de armas como a técnica, a velocidade ou a explosão, entrou no tipo de jogo que interessava ao Trofense e colocou-se a jeito para qualquer imponderável. Como por exemplo... um frango de Moreira.

Hélder Barbosa abre o livro e o Benfica encerra para balanço

Quando o Trofense marcou o primeiro golo pouca coisa o podia justificar. A equipa da Trofa não tinha sido melhor que o Benfica. Tinha sido apenas igualmente má. Um lance de génio de Hélder Barbosa - que grande jogo! -, desbloqueou o impasse.

O esquerdino emprestado pelo F.C. Porto efectuou um passe que rasgou por completo a defesa do Benfica, isolou Reguila na direita, o avançado rematou forte e contou depois com a colaboração de Moreira: deixou a bola passar-lhe pelas mãos. Um frango!

Logo a seguir veio o intervalo e começou a segunda parte. Com um dado novo, claro: o Trofense estava na frente. Nessa altura o Benfica não soube reagir. Quique Flores deixou o inexistente Di Maria nos balneários para lançar Cardozo, mas foi pouco.

É verdade que Cardozo e Suazo juntos podiam ser uma solução para este tipo de jogo, mas faltou o resto. Faltou quem os alimentasse. Faltou Aimar, faltou Carlos Martins, faltou Ruben Amorim. Faltou futebol. Faltou vontade. Faltou sobretudo vontade.

O Trofense moralizou-se. O Benfica, esse, caiu a pique. Não havia quem assumisse a bola, quem oferecesse linhas de passe, quem inventasse soluções. Não havia sequer quem quisesse inventá-las. Rui Costa abanava a cabeça em sinal de reprovação.

Já sobre o final do jogo, após mais uma perda de bola do Benfica, Pinheiro serviu Hélder Barbosa e o esquerdino empurrou a bola para a baliza. E o F.C. Porto para a liderança da Liga. Um prémio justo para a segunda parte de grande nível do Trofense.

Antes disso, pouco antes disso, Binya já tinha sido expulso. O Benfica era por esta altura um grupo de bons rapazes, de olhar triste no chão e constantes discussões dentro de campo. Estava fechado para balanço há algum tempo. Bem precisa, realmente.