Pedro Ilharco, jovem treinador (32 anos), com o curso de terceiro nível, tem a difícil tarefa de motivar uma equipa que não sabe perder. «Torna-se fácil quando os jogadores aliam as qualidades técnicas a um desejo enorme de serem melhores todos os dias», garante ao Maisfutebol o técnico, que gosta de fazer ver aos atletas que ainda lhes falta atingir certos objectivos, como a subida à III Divisão (basta mais um ponto), a Taça da Associação ou simplesmente bater recordes.

O segredo é tentar gerir o jovem plantel (média de 22, 3 anos), quase exclusivamente composto por estudantes, de forma racional e com muito trabalho psicológico: «Aos guarda-redes, sobretudo àquele que tem jogado mais, costumo-lhe dar o exemplo dos guardiães das grandes equipas, que só fazem duas ou três defesas por jogo, mas cujas intervenções são, por vezes decisivas. Alerto-o para outro tipo de trabalho, como jogar a libero, e lançar o ataque. Graças a isso, até já fizemos alguns golos.»

O percurso de Pedro Ilharco é prometedor. Esta deverá ser a sua terceira subida aos nacionais e nem se trata da primeira vez que soma tantas vitórias seguidas. «No Gândara, em 2006, quando peguei na equipa, tínhamos quatro pontos de atraso sobre o líder e não podíamos perder até final para subirmos, além de estarmos dependes de outros. Estivemos 12 ou 13 partidas sempre a ganhar», afirma, com orgulho, estabelecendo como meta «chegar ao futebol profissional». «Tenho sido precoce em muitas coisas. Comecei a treinar aos 26 anos e espero atingir o meu objectivo mais cedo ou mais tarde», desvenda.

Miguel (capitão): «Em casa, é raro criarem-nos perigo»

Para o capitão Miguel Marques, estar numa equipa que nunca perdeu é uma sensação óptima. «Ninguém gosta de perder», relembra, ao mesmo tempo que garante que nunca lhe tinha acontecido nada assim. «Já me lembro do que é isso de perder um jogo», atalha, por entre sorrisos, apontado como meta a vontade de chegar ao final do campeonato - faltam sete jornadas - sem derrotas e, como tal, campeões.

Para já, tudo parece bem encaminhado para atingir esse desiderato, tal é o respeito que as outras equipas têm ao União. «Em casa, é raro criarem-nos perigo. Podemos é ter problemas, às vezes, a jogar fora, na adaptação aos pelados», revela o médio conimbricense.