No reverso da medalha, os comandados de Castro Santos continuam a via-sacra, isto é, mantêm-se abaixo da linha-de-água e podem ver, não só o V. Setúbal, como outros concorrentes directos, afastarem-se além de ficar também uma porta aberta para a aproximação do «lanterna vermelha» Belenenses. Num terreno difícil - o relvado já é mau por natureza mas com tanta chuva ainda ficou pior -, quando o músculo passou a ditar leis, a União acabou por ser mais feliz mas o Leixões, de forma muito honesta, vendeu cara a derrota e se, tivesse saído do jogo com um ponto, não teria escandalizado ninguém.

O Leixões deve o mérito, a despeito de se encontrar nos fundilhos da classificação, de não vir a Leiria defender muito atrás, apresentando um 4-3-3 bastante elástico que procurava ocupar racionalmente os espaços e, ao mesmo tempo, garantir saídas rápidas para o ataque. Em teoria, tudo isto fazia sentido. O pior foi passá-lo à prática.

O Leiria, com melhores talentos individuais, conseguiu rapidamente o domínio dos acontecimentos e, aqui e ali, juntar-se alguns lances de desequilíbrio, lá está, pela classe e qualidade de alguns dos seus jogadores. Paradigma disso mesmo foi o lance do golo leiriense. Numa boa jogada de ataque, desenhada pela esquerda, Pateiro ganha vantagem sobre Seabra, que acaba por rasteirar o médio da casa.

Na conversão, Marco Soares colocou alguma justiça no marcador, na medida em que a União fora, até então, a equipa mais empenhada em chegar ao golo, sem, contudo, ter beneficiado de alguma oportunidade de revelo até ao assinalar da grande penalidade.

Carlão à segunda

Em desvantagem, o técnico espanhol abriu a frente de ataque, lançando Pouga para o lugar de Didi e os matosinhenses melhoraram a olhos vistos ao ponto de terem chegado ao empate por intermédio do incontornável Zé Manel, que voltou a saltar do banco para dar esperança aos adeptos da equipa do Mar. Por ironia, nesse lance, André Santos poderia ter «matado o jogo» mas o contra-ataque imediatamente lançado por Diego resultou num golo fácil para os forasteiros.

Prosseguindo no capítulo das injustiças, há ainda um golo mal anulado a Carlão, por fora-de-jogo, a assinalar no momento em que a União procurava, a todo o transe, recuperar a vantagem. Não foi à primeira, mas à segunda o goleador brasileiro recolocou a equipa da casa na frente do marcador. Mas o Leixões não se entregou e voltou a introduzir a bola na baliza do Leiria, num lance novamente anulado, para, pouco depois, Pouga falhar inacreditavelmente o empate.