Jogo estranho aquele que confirmou a esperada descida da Naval à Liga de Honra. É verdade que não foi pelo que aconteceu no Magalhães Pessoa que a Naval desceu, mas acaba por ser um reflexo do que aconteceu durante o resto da época: a equipa teve atitude, mas pouca inspiração e depois acabou por ser traída por um enorme azar, neste caso, o golo de João Silva; golo esse que pôs fim a uma série de sete derrotas caseiras da equipa de Pedro Caixinha, que já tinha igualado um recorde negativo do Salgueiros na longínqua época de 1961/62.

Quanto ao jogo, a partida foi essencialmente marcada por um domínio estatístico dos navalistas. Mesmo sem se ter registado um número significativo de oportunidades, a primeira parte foi de sentido único. A Naval chegou ao intervalo com sete cantos e 13 remates, enquanto os leirienses ainda não se tinham estreado em nenhum destes capítulos. Mesmo assim, comandados pelo surpreendente e objectivo Giuliano, os homens de Carlos Mozer foram-se aproximando com alguma frequência da baliza de Gottardi, com um futebol de mudanças rápidas de velocidade, ao qual terá faltado uma maior assertividade no último passe.

E foi o próprio Giuliano a assinar a melhor ocasião dos 45 minutos iniciais, num remate de ressaca ainda dentro do primeiro quarto de hora, superiormente sacudido por Gottardi; só que como também Fábio Júnior, Marinho, Simplício, Edivaldo e até Rogério Conceição não andaram longe do golo, o nulo soava a injusto quando Hugo Pacheco mandou toda a gente para o descanso.

Decisão contra a corrente

Completamente retraídos no primeiro tempo, o U. Leiria resolveu «sair da toca» após o intervalo, mas com muita timidez. Depois do primeiro remate e de um ou outro lance em que os defesas da Naval tiveram que recorrer à falta, também começaram a surgir cruzamentos que deram trabalho a Bruno. Mas foi num lance completamente fortuito que os pupilos de Pedro Caixinha chegaram ao golo, já que um centro completamente falhado acaba por ressaltar num jogador da Naval, isolando João Silva; involuntariamente em situação de um para um perante o guarda-redes, o jovem avançado não teve dificuldade em inaugurar o marcador.

Ainda faltava quase meia hora para dar a volta ao texto, mas este golo ¿ conjugado com o tento do V. Setúbal em Alvalade ¿ era um golpe demasiado duro, dando a machadada final numa época cheia de azares. Fica a ideia de que Mozer demorou uma eternidade a mexer na equipa, mas também que a descrença já era generalizada, apesar da irrepreensível atitude dos jogadores navalistas que correram até ao último segundo.

Só que o destino estava mais que consumado e seis anos depois a Naval volta à Liga de Honra, com muitas interrogações sobre um futuro que parece tudo menos risonho. Terá agora a palavra o presidente Aprígio Santos.